
O Movimento para a Democracia (MpD) classifica como “muito arriscada” a decisão do primeiro-ministro Francisco Carvalho de acumular a chefia do Governo com a pasta das Finanças. A posição foi divulgada esta sexta-feira, 19, em comunicado, na sequência da tomada de posse do novo executivo, na sexta-feira, 19, na cidade da Praia.
O maior partido da oposição argumenta que o Ministério das Finanças exige “dedicação técnica permanente”, incompatível com a coordenação global da atividade governativa. Segundo o MpD, a pasta tem “profundo e efetivo impacto” na taxa de crescimento económico, nas receitas do Estado, no rendimento das famílias e na estabilidade macroeconómica do país. Por isso, adverte que a concentração das duas funções numa única pessoa pode comprometer a confiança de investidores e parceiros internacionais.
O MpD apontou ainda divergências entre o que foi anunciado pelo PAICV em campanha e a composição final do Governo. Segundo o partido, tinha sido prometida uma equipa de 14 membros, um primeiro-ministro, 11 ministros e dois secretários de Estado. O executivo agora empossado conta, porém, com 18 governantes: 15 ministros e três secretários de Estado, número que o MpD associa ao incumprimento do compromisso de reduzir as “gorduras do Estado”.
O partido criticou também a reduzida representatividade feminina no novo Governo, que integra apenas duas ministras e uma secretária de Estado, a menor participação de mulheres num executivo desde a implementação da democracia em Cabo Verde, segundo o MpD.
Na mesma nota, o partido lembrou que a equidade de género foi uma das bandeiras de campanha do PAICV, que chegou a acusar o MpD de não valorizar as mulheres. Apesar das críticas, o partido garantiu que fará uma oposição “séria, firme e responsável” e reafirmou disponibilidade para apoiar medidas que considere benéficas para Cabo Verde.

















































