A exposição reúne fotografias que retratam ruas, oficinas, festivais, ateliers, músicos, artistas e cenas do quotidiano de São Vicente, revelando a identidade cultural da ilha e a humanidade das suas gentes. Segundo a nota de apresentação da mostra, cada imagem representa “um encontro” e um convite a redescobrir um território onde a criação artística, a liberdade e a convivência se cruzam.
Fotógrafo profissional com mais de quatro décadas de trabalho ao serviço da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e de outras agências internacionais de cooperação, Marzio Marzot percorreu vários continentes documentando projetos de desenvolvimento, educação e inclusão social. Foi, contudo, em Cabo Verde que encontrou uma ligação duradoura, iniciada na década de 1980.
Ao longo dos anos, Marzot tornou-se uma das principais referências da fotografia documental sobre o arquipélago, registando pessoas, paisagens e manifestações culturais com um olhar marcado pela sensibilidade artística e pelo respeito pelas comunidades retratadas. Uma das suas fotografias mais emblemáticas — a imagem de uma mulher transportando pedras à cabeça — foi escolhida para ilustrar a antiga nota de cinco mil escudos, tornando-se um dos símbolos visuais mais reconhecidos do país.
A sua relação com Cabo Verde estendeu-se também à documentação da música e da cultura nacionais, tendo fotografado diversos artistas, entre eles uma jovem Cesária Évora antes da projeção internacional da cantora. Em 1988 publicou ainda o livro Capo Verde, una storia lunga dieci isole, dedicado ao arquipélago.
A organização descreve Marzot como um criador que “fotografa como quem pinta”, utilizando a câmara como instrumento para captar a luz, o tempo e a emoção dos momentos mais simples. A sua obra distingue-se pela utilização expressiva do preto e branco e da cor, pela composição depurada e por uma narrativa visual construída ao longo de vários anos, regressando repetidamente aos mesmos lugares para testemunhar as suas transformações.
Mais do que uma retrospetiva fotográfica, “São Vicente, 30 Anos Atrás” pretende ser um exercício de memória e um tributo à identidade da ilha, oferecendo ao público a oportunidade de revisitar um período marcante da sua história através do olhar de um fotógrafo que fez de Cabo Verde uma das suas maiores inspirações.
A exposição estará patente no Centro Cultural do Mindelo, com inauguração marcada para as 18h30 do dia 17 de julho. O design da mostra é assinado por Pietro Bartoleschi e as impressões foram realizadas pela Geviservice, em Roma.