Segunda-feira, 29 Junho 2026

Kriolu na ponta língua

Literatura infantil em crioulo cabo-verdiano ganha novo fôlego

O projeto "Stória pa Mininus" concluiu recentemente uma intensa circulação internacional por Lisboa, Nice e Roterdão, levando a literatura infantil em crioulo cabo-verdiano a comunidades da diáspora na Europa. A viagem contou com co-financiamento do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC). A iniciativa é coordenada por Ana Josefa Cardoso e desenvolvida pela autora e tradutora Karolina Abramowicz, e tem como objetivo promover a literacia em língua materna entre crianças cabo-verdianas residentes no estrangeiro.

Atividades superam expectativas

Ao longo da missão, o projeto ultrapassou largamente o número de atividades inicialmente previstas, com um aumento significativo de ações em escolas, associações culturais, consulados e eventos comunitários. Em Lisboa, Nice e Roterdão foram realizadas sessões de leitura, apresentações públicas, distribuição de livros e encontros com crianças que, em muitos casos, tiveram o primeiro contacto com a leitura em crioulo. “Vimos crianças a tocarem, pela primeira vez, num livro escrito na língua que ouvem em casa. Esse momento de reconhecimento vale todo o esforço desta viagem”, afirma Karolina Abramowicz, autora e tradutora do projeto.

Rede de distribuição em espaços comunitários

O projeto destaca-se também pela criação de uma rede informal de distribuição em espaços comunitários, incluindo consulados, restaurantes, mercearias e associações culturais — uma estratégia que tem permitido alcançar famílias fora dos circuitos escolares tradicionais. Atualmente, “Stória pa Mininus” já está presente em 239 instituições em vários países, um resultado obtido exclusivamente através de financiamento privado e esforços independentes.

Falta de apoio institucional

Apesar do impacto crescente, o projeto enfrenta desafios significativos relacionados com a falta de apoio estrutural e institucional, sobretudo no que diz respeito à divulgação e expansão da iniciativa. “Temos crescido com base em boa vontade e parcerias pontuais, mas um projeto desta dimensão precisa de um compromisso institucional contínuo para se tornar sustentável a longo prazo”, sublinha Karolina Abramowicz.

A responsável do projeto defende que iniciativas como esta devem ser integradas nas políticas públicas de educação e cultura de Cabo Verde, considerando o seu papel essencial na preservação da língua e identidade nacional na diáspora.

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