O crescimento do setor reflete-se também no Produto Interno Bruto, com a componente marítima a atingir 20,1% do PIB nacional, mais dois pontos percentuais do que no ano anterior. O emprego e os salários seguiram a mesma tendência, pois as remunerações pagas nas atividades do mar subiram de 14,8% para 16,1% do total nacional, e o número de trabalhadores do setor passou a representar 19,5% do total de pessoal ao serviço no país, um aumento de 2,3 pontos percentuais.
Dentro deste universo, a pesca e a aquacultura continuam a ser a atividade mais representativa do grupo ligado aos recursos marinhos, apesar de terem perdido peso relativo, ao descerem de 40,4% para cerca de 36% da produção do setor entre 2022 e 2023. O país mantém uma frota maioritariamente artesanal, composta por 1.463 (mil, quatrocentos e sessenta e três) embarcações, segundo o recenseamento das pescas de 2021, muitas delas sem meios de conservação de pescado a bordo.
Os dados do INE mostram ainda que 85% dos pescadores não estão inscritos no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), uma fragilidade que se agrava à medida que a escassez de recursos junto à costa os obriga a afastar-se para zonas mais distantes e de maior risco. O turismo costeiro foi outro dos pilares que sustentou a subida da Economia do Mar.
Os hotéis do país receberam mais de um milhão de hóspedes em 2023, mais 20,9% do que no ano anterior, com um crescimento de 12,2% no número de unidades hoteleiras. O setor de cruzeiros teve um desempenho ainda mais expressivo, com as escalas nos portos nacionais a aumentar 32,6% e o número de passageiros a subir 40,3%, para quase 87 mil pessoas.
Assim, o desafio dos próximos anos estará em manter esta trajetória de crescimento sem comprometer os ecossistemas marinhos, tendo em conta que o aquecimento global, a poluição e a sobrepesca continuam a pressionar a costa cabo-verdiana, onde as áreas protegidas ainda cobrem apenas 5,66% das águas territoriais.