Sábado, 20 Junho 2026

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PR desafia novo Governo a inspirar-se nos Tubarões Azuis para desenvolver o País

Na cerimónia de posse do XI Governo Constitucional, realizada ontem, 19 de junho, José Maria Neves utilizou o exemplo dos Tubarões Azuis como metáfora para o momento que o país vive e para os desafios que se colocam à nova equipa governativa. O Presidente da República, José Maria Neves, desafiou o novo Executivo liderado por Francisco Carvalho a transformar o capital simbólico gerado pela histórica qualificação de Cabo Verde para o Mundial de Futebol de 2026 em ganhos concretos para o desenvolvimento do país.

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“Precisamos de Tubarões Azuis em todos os domínios da vida nacional”, afirmou, defendendo que a mesma determinação que levou a seleção nacional ao maior palco do futebol mundial deve inspirar cidadãos, empresários, investigadores, professores, artistas, agricultores, pescadores, funcionários públicos e governantes.

Segundo o Chefe de Estado, a qualificação para o Mundial representa muito mais do que um feito desportivo, constituindo um marco histórico capaz de impulsionar transformações económicas, sociais e culturais. “A nossa seleção não participa apenas nas grandes competições, compete entre os melhores do mundo e demonstra que pertence a esse grupo”, sublinhou.

José Maria Neves considerou que o desporto e a cultura devem ser encarados como instrumentos de desenvolvimento, capazes de impulsionar o turismo, atrair investimentos, criar oportunidades económicas, reforçar a coesão nacional e projetar a imagem de Cabo Verde no exterior. “O desafio que se coloca agora é o de transformar este extraordinário capital simbólico em ganhos concretos para o desenvolvimento nacional”, declarou.

Apelo à união e ao aproveitamento da diáspora

Num discurso marcado por sucessivos apelos à mobilização nacional, o Presidente destacou a importância da diáspora cabo-verdiana, classificando-a como um dos maiores ativos estratégicos do país. Segundo afirmou, o futuro de Cabo Verde dependerá da capacidade de unir talentos, criar oportunidades e mobilizar todas as forças da nação em torno de objetivos comuns.

“Este é tempo de união”, disse, defendendo que o pluralismo democrático deve ser fonte de entendimentos e consensos e não de fragmentação e polarização. José Maria Neves alertou ainda para os riscos da “hiperpolitização do espaço público”, defendendo mais diálogo, negociação e procura conjunta de soluções para os problemas dos cidadãos.

Presidente destaca maturidade democrática, mas alerta para abstenção

Referindo-se às recentes eleições legislativas, o Chefe de Estado felicitou Francisco Carvalho pela vitória alcançada nas urnas e enalteceu a maturidade cívica e política demonstrada pelos cabo-verdianos ao longo de mais de três décadas de democracia.

Contudo, manifestou preocupação com a elevada taxa de abstenção registada no escrutínio, considerando que o fenómeno exige uma reflexão profunda por parte dos atores políticos e institucionais. “É imperativo compreender as razões deste afastamento de uma parte significativa do eleitorado e encontrar formas de reforçar a participação cívica e política dos cidadãos”, afirmou.

O Presidente destacou igualmente a forma como decorreu a transição governativa entre o primeiro-ministro cessante, Ulisses Correia e Silva, e Francisco Carvalho, classificando o processo como um exemplo de responsabilidade institucional, respeito democrático e sentido de Estado.

Desafios para o novo Executivo

Na parte final da intervenção, José Maria Neves apontou os principais desafios que aguardam o novo Executivo, destacando a necessidade de melhorar a conectividade entre as ilhas, reduzir a pobreza e as desigualdades sociais, criar mais empregos e rendimentos, reforçar a segurança, acelerar a transição energética e melhorar o acesso à água.

Entre as prioridades mencionadas figuram ainda o fortalecimento dos sistemas de educação e saúde, a consolidação da justiça, o reforço da liberdade de imprensa e a modernização da administração pública. O Presidente reiterou a disponibilidade da Presidência da República para cooperar institucionalmente com o Governo, defendendo um ambiente de estabilidade, respeito mútuo e normal funcionamento dos órgãos de soberania.

Dirigindo-se diretamente ao novo primeiro-ministro, desejou-lhe “saúde, sabedoria e energia” para cumprir a missão de governar o país nos próximos cinco anos. “Tal como os nossos Tubarões Azuis entraram em campo sem receio dos prognósticos, também Cabo Verde

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