
O primeiro-ministro Francisco Carvalho afirmou, esta sexta-feira, 19 de julho, durante a cerimónia de tomada de posse do novo Governo, na cidade da Praia, que este momento representa “mais do que a formação de um executivo”, é, nas suas palavras, “a renovação de uma esperança coletiva” de resposta às necessidades mais urgentes das famílias cabo-verdianas, que vai ser conduzida com humildade, sentido de responsabilidade e total dedicação ao povo.
Logo no início do seu discurso, Carvalho apelou à união nacional e à continuidade do percurso validado pelos cidadãos nas urnas, a 17 de maio. “Agradeço a todos os cabo-verdianos por terem estado comigo até agora e fica o apelo de continuarmos juntos”, declarou o chefe do Governo, sublinhando que este é o começo de uma nova etapa na história do país.
A emigração juvenil foi um dos temas centrais do discurso. Carvalho identificou-a como uma das feridas mais profundas da sociedade cabo-verdiana e colocou o combate a este fenómeno no topo da agenda do executivo. Para o primeiro-ministro, só a criação de oportunidades dentro das próprias ilhas pode inverter a tendência de jovens que partem diariamente para o estrangeiro, uma situação que classificou como uma “sangria” que urge travar.
O chefe do Governo convocou também o setor privado, apelando diretamente aos empresários nacionais e estrangeiros para que invistam e criem emprego em Cabo Verde. “O maior projeto social é a criação de emprego, criado através da iniciativa do setor privado”, afirmou. O chefe do Executivo frisou também que o Estado não pode nem deve ser o único motor do desenvolvimento económico do arquipélago.
Com os membros do próprio executivo, Carvalho foi igualmente exigente. Recusou antecipadamente qualquer justificação assente na falta de meios ou de condições ideais. Reforçou ainda que a questão fundamental não é o que se faria noutras circunstâncias, mas sim o que o Governo vai fazer, aqui e agora, com os recursos que tem para melhorar a vida das pessoas.
Na mesma linha de raciocínio, o primeiro-ministro recordou o papel histórico da comunidade internacional ao lado de Cabo Verde desde a independência, em 1975, e renovou o apelo à cooperação face aos desafios que se avizinham. Destacou ainda a diáspora cabo-verdiana como uma das maiores forças da nação. Daí, considerou importante que se mantenha unida ao país na construção de um futuro mais próspero e inclusivo.
O novo Governo tomou posse com uma composição maioritariamente masculina: 15 homens e três mulheres entre os 18 membros que o integram. A cerimónia realizou-se um dia depois de Cabo Verde ter vivido um momento inédito na sua história democrática, com a eleição de Janir Offer Armada para a presidência da Assembleia Nacional, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo.

















































