Quinta-feira, 29 Outubro 2026

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José Maria Neves: “Ameaças de morte não têm lugar na democracia”

O Presidente da República e candidato à reeleição, José Maria Neves, condena as declarações dos candidatos presidenciais Casimiro de Pina e Gilson Alves durante o debate transmitido pela Televisão de Cabo Verde (TCV) e pela Rádio de Cabo Verde (RCV), considerando que as intervenções ultrapassaram os limites da convivência democrática.

Numa publicação divulgada na sua página oficial do Facebook, José Maria Neves classificou o episódio como “profundamente perturbador” da vida democrática cabo-verdiana. Por isso, critica as imputações de natureza criminal feitas por Casimiro de Pina e as referências de Gilson Alves ao seu fuzilamento.

“Não estamos perante simples excessos de linguagem ou a habitual dureza da disputa eleitoral. Estamos perante palavras de uma gravidade intolerável, que afrontam os princípios mais elementares da convivência democrática”, escreveu o chefe de Estado.

A reação surge na sequência das declarações de Gilson Alves durante o debate presidencial, no qual defendeu a aplicação da pena de morte e afirmou que José Maria Neves deveria ser o primeiro a ser fuzilado, caso fossem provadas as acusações de corrupção e outros crimes que lhe fossem imputados.

No seu comunicado, José Maria Neves sublinhou que a liberdade de expressão não pode justificar a violência política, nem a disputa pelo poder admitir ameaças contra adversários. “A liberdade de expressão não pode servir de pretexto para legitimar a violência política. E a disputa pelo poder jamais pode admitir a eliminação física de um adversário como linguagem aceitável”, declarou.

O Presidente da República destacou ainda o percurso de Cabo Verde na consolidação da liberdade, da tolerância, da estabilidade e do respeito pelas instituições, considerando que esses valores não devem ser postos em causa, sobretudo por candidatos à mais alta magistratura da Nação.

Para José Maria Neves, as declarações proferidas durante o debate exigem uma condenação pública, firme e sem ambiguidades, de modo a impedir a banalização da violência verbal na democracia cabo-verdiana. “Os adversários políticos combatem-se com ideias e votos. Nunca com ameaças de morte”, afirmou, defendendo o respeito pelos princípios democráticos no contexto da disputa eleitoral.

O debate, promovido pela Rádio e Televisão de Cabo Verde (RTC), reuniu os seis candidatos às eleições presidenciais de 2026: Antero Tavares, Casimiro de Pina, Gilson Alves, Joana Rosa, José Maria Neves e Loisito Tavares de Sousa.

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