Sexta-feira, 02 Outubro 2026

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Joana Rosa quer uma Presidência “útil” e próxima das pessoas

A candidata à Presidência da República Joana Rosa apresentou oficialmente, esta quinta-feira, 01 de Outubro, a sua candidatura no Auditório da Assembleia Nacional, defendendo um exercício presidencial “diferente”, assente na proximidade aos cidadãos, no diálogo institucional, na defesa da Constituição e na protecção dos direitos dos cabo-verdianos.

Sob o lema “Sentir, Servir e Proteger”, a antiga ministra da Justiça afirmou que pretende exercer uma Presidência próxima das pessoas e atenta aos principais desafios que afectam as famílias, os jovens, os trabalhadores, os idosos, as empresas e as comunidades das diferentes ilhas. “Sentir porque queremos estar próximos, eu quero estar próxima aos cidadãos, próxima a tudo quanto disser respeito aos desafios do país, servir colocando ao serviço do país e não ao contrário”, afirmou Joana Rosa, ao explicar o significado do lema da sua candidatura.

Durante a apresentação, a candidata destacou preocupações relacionadas com o custo de vida, habitação, emprego e as perspectivas dos jovens, defendendo que o Presidente da República deve utilizar os poderes constitucionais para proteger os cidadãos mais vulneráveis e acompanhar questões que tenham impacto na vida das famílias. “Há famílias e especialmente idosos que sentem o peso do custo de vida, da habitação e das dificuldades do dia a dia”, afirmou, acrescentando que o aumento do preço dos combustíveis tem igualmente impacto directo na vida das famílias.

Joana Rosa defendeu que o chefe de Estado deve ser uma figura próxima dos cidadãos e capaz de criar pontes entre a sociedade e as instituições, sobretudo num contexto em que, segundo afirmou, existem cidadãos que olham para o Estado e para o poder político com desconfiança.

Na sua visão presidencial, a independência deve traduzir-se na capacidade de decidir livremente, dentro da Constituição e das responsabilidades do Estado, respeitando as competências do Governo, da Assembleia Nacional, da Justiça, dos municípios e das demais instituições. “O Presidente deve ser um factor determinante, favorecer o diálogo quando houver divergências, aproximar posições quando for possível e contribuir para encontrar consensos quando houver questões fundamentais para o país”, defendeu.

Para a candidata, uma Presidência de proximidade não significa substituir-se ao Governo ou assumir funções de governação, mas utilizar a influência e os poderes constitucionais para acompanhar problemas nacionais, promover o diálogo e chamar a atenção para situações que exigem respostas e continuidade. “Um Presidente útil é um Presidente que sabe o que pode fazer a diferença”, afirmou.

Entre as prioridades que pretende colocar no debate nacional está a juventude. Joana Rosa defendeu que muitos jovens, apesar de estudarem, trabalharem e se esforçarem, continuam a questionar se conseguirão concretizar os seus projectos de vida. A candidata apontou, neste âmbito, questões como educação, emprego, ensino e participação dos jovens como áreas que devem permanecer no centro da atenção nacional.

A diáspora foi igualmente destacada no discurso. Joana Rosa considerou que os cabo-verdianos residentes no exterior continuam profundamente ligados ao país e podem contribuir mais para o seu desenvolvimento. “A nossa diáspora precisa de ser amada. A nossa diáspora exige mais flexibilidade”, afirmou, anunciando a intenção de criar, caso seja eleita, um fórum de consulta para contribuir para a definição de políticas públicas e criar condições que possam incentivar o regresso de cabo-verdianos ao país.

A candidata defendeu ainda que as diferenças entre as realidades das ilhas e das comunidades devem ser consideradas no exercício da função presidencial, sublinhando que um problema local pode assumir dimensão nacional e justificar um debate mais amplo. Neste sentido, afirmou que o desenvolvimento só será verdadeiramente nacional quando as oportunidades chegarem também aos cidadãos que vivem fora dos principais centros urbanos ou que dispõem de menos recursos.

Joana Rosa voltou igualmente a destacar o carácter inédito da sua candidatura enquanto mulher à Presidência da República de Cabo Verde, mas afirmou que essa condição deve ser acompanhada pela valorização da competência e da capacidade para exercer o cargo. “É um facto que eu acho que todos os cabo-verdianos devem valorizar, mas sobretudo valorizar a competência, valorizar a capacidade da candidata de fazer melhor”, declarou.

Em declarações aos jornalistas, explicou que a decisão de avançar para as presidenciais resulta do percurso desenvolvido enquanto autarca, deputada, líder parlamentar e membro do Governo. “Para me candidatar, esse percurso levou-me a entender que deveria dar um salto e disponibilizar-me para trabalhar e fazer mais para Cabo Verde”, afirmou.

Joana Rosa anunciou igualmente a abertura de um período de audição aos cidadãos, com o propósito de recolher preocupações, expectativas e propostas para a construção da sua candidatura. A candidata defendeu que pretende apresentar aos cabo-verdianos uma forma diferente de exercer a Presidência da República, baseada na proximidade, na capacidade de diálogo, no equilíbrio entre os poderes e no respeito pelo Estado de Direito.

As eleições presidenciais estão marcadas para 15 de Novembro de 2026. A Comissão Nacional de Eleições confirmou seis candidaturas definitivamente admitidas, entre as quais a de Joana Rosa, que figura em quinto lugar no boletim de voto, de acordo com a ordem resultante do sorteio realizado pelo Tribunal Constitucional.

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