
O Festival Internacional do Fado vive hoje, 18 de junho, o dia dois da sua segunda edição em Cabo Verde com o concerto de Beatriz Felício, às 19 horas, no Auditório Nacional Jorge Barbosa, cidade da Praia. Ontem, em conferência de imprensa, a fadista, que se estreia em Cabo Verde, descreveu a viagem como um sonho antigo dada a proximidade com que sempre conviveu com a cultura cabo-verdiana no bairro onde cresceu ─ Damaia, em Lisboa ─, rodeada de amigos cabo-verdianos.
Beatriz Felício revelou que vai interpretar temas do seu álbum de estreia, homónimo, produzido em parceria com o Museu do Fado e com produção de Ângelo Freire. Entre os compositores do disco, citou Teresinha Landeiro, Hélder Moutinho, Ana Lúcia Nunes, Nuno Figueiredo, Paulo Valentim, Ângelo Freire e Francisco Guimarães.
Questionada por uma jornalista se, à semelhança de Teresinha Landeiro no ano anterior, vai cantar algum tema da música cabo-verdiana, Beatriz Felício confirmou que sim, embora tenha pedido sigilo. “É surpresa, mas vai acontecer”, declarou a fadista, que confessou que deseja que “toda a gente” vá ao concerto, não apenas portugueses residentes em Cabo Verde.
Beatriz Felício revelou ter crescido a ouvir rap crioulo e géneros musicais tradicionais e contemporâneos cabo-verdianos na Damaia e manifestou o desejo de gravar futuramente um tema em colaboração com um artista cabo-verdiano, adiantando que tenciona lançar singles antes de um próximo álbum, possivelmente já com essa parceria.
Casa cheia no ano passado e desafios para o futuro
Rodrigo do Carmo, produtor do festival, afirmou que o facto de o Auditório Nacional Jorge Barbosa ter estado lotado no concerto de estreia do evento no ano passado foi “fruto” do trabalho da organização e dos patrocinadores, e que constitui motivação extra para o regresso a Cabo Verde, mas ressalvou que esse não foi o único motivo do retorno, lembrando que, nas 21 cidades onde o festival está presente, há ainda muitos locais em que a construção de público continua em curso.
O produtor destacou que cada edição traz um tema diferente — já foram explorados Carlos Paredes, as Casas de Fado, o Fado e as Mulheres, o Fado e a Poesia, o Fado e o Mar, e o Fado e Lisboa — e defendeu que esse é um trabalho contínuo de renovação que o festival pretende manter.
Questionado sobre uma eventual expansão do festival a outras ilhas de Cabo Verde, Rodrigo do Carmo admitiu que a vontade existe, mas alertou para os condicionalismos financeiros e de tempo: referiu que, na América Latina, o festival já obriga a organização a passar um mês fora de casa, o que torna inviável multiplicar paradas em cada país sem comprometer a vida pessoal.
Rodrigo do Carmo reiterou, contudo, a vontade de continuar e crescer, dependendo do apoio de patrocinadores, atuais e futuros, e da venda de bilhetes.
Continue a acompanhar-nos. Este é o segundo de quatro conteúdos preparados para lhe mostrar os principais momentos, protagonistas e impactos deste evento.
Fotografia: Insulada

















































