Na sua estreia absoluta num Mundial, os Tubarões Azuis protagonizaram uma campanha memorável, tornando-se uma das grandes revelações da prova e escrevendo uma das páginas mais marcantes da história do desporto cabo-verdiano.
Integrado no Grupo H, Cabo Verde iniciou a competição com um empate sem golos frente à Espanha, que viria a sagrar-se campeã do mundo. Seguiu-se uma igualdade a dois golos diante do bicampeão mundial Uruguai e um novo empate (0-0) frente à Arábia Saudita, resultados que garantiram uma inédita qualificação para os oitavos-de-final.
Com esse percurso, o arquipélago tornou-se o país mais pequeno, em população e área territorial, a ultrapassar a fase de grupos de um Campeonato do Mundo, feito que mereceu destaque na imprensa internacional.
Nos oitavos-de-final, Cabo Verde enfrentou a Argentina, então campeã em título, e vendeu cara a derrota. Os Tubarões Azuis só foram eliminados no prolongamento, por 3-2, depois de uma exibição de elevado nível frente à seleção sul-americana, que acabaria por disputar a final da competição.
Ao longo do torneio, Cabo Verde foi a única das 48 seleções participantes a defrontar os dois finalistas do Mundial de 2026: empatou com a futura campeã Espanha na fase de grupos e obrigou a Argentina a recorrer ao prolongamento para garantir o apuramento.
Outro dos momentos históricos da participação cabo-verdiana foi o primeiro golo do país em fases finais de Campeonatos do Mundo, apontado por Kevin Pina frente ao Uruguai, um momento que ficará para sempre na memória dos adeptos nacionais.
Individualmente, o guarda-redes Vozinha foi uma das maiores figuras da competição. Aos 40 anos, o internacional cabo-verdiano ganhou projeção mundial logo no jogo de estreia, ao realizar uma exibição de enorme nível frente à Espanha, mantendo a baliza inviolada. O experiente guardião voltou a destacar-se frente à Argentina, protagonizando várias defesas decisivas, incluindo uma intervenção num duelo frente a Lionel Messi, sendo apontado por vários órgãos internacionais como um dos melhores guarda-redes do torneio.
A campanha dos Tubarões Azuis foi amplamente elogiada por adeptos, analistas e imprensa internacional, que destacaram a organização tática, a competitividade e a personalidade demonstradas por uma seleção estreante entre as maiores potências do futebol mundial.
Embora a caminhada tenha terminado nos oitavos-de-final, Cabo Verde deixa o Mundial 2026 com um legado histórico. A primeira participação da seleção nacional transformou-se numa campanha inesquecível, consolidando o país entre as grandes surpresas da competição e abrindo uma nova página para o futebol cabo-verdiano, que sai do torneio com prestígio reforçado, reconhecimento internacional e a certeza de que os Tubarões Azuis conquistaram um lugar na história dos Campeonatos do Mundo.