
Com a aproximação da época das chuvas, a Câmara Municipal da Praia (CMP) está a reforçar as operações de limpeza das valas de drenagem e das ribeiras da cidade, numa tentativa de minimizar os riscos de inundações. Em entrevista ao Voz do Archipelago, o vereador para a área do Saneamento, Carlos Dias, afirmou que o maior obstáculo continua a ser o despejo ilegal de lixo e entulhos por parte da população.
Segundo o autarca, embora a limpeza das valas seja realizada durante todo o ano, os trabalhos são intensificados a partir do mês de fevereiro, de forma a preparar a cidade para o período das chuvas. “Limpamos as valas durante todo o ano, mas as pessoas continuam a deitar lixo e escombros nas ribeiras. Muitos ainda entendem que esses locais são lixeiras, quando na verdade são canais essenciais para a drenagem das águas pluviais”, afirmou.
Carlos Dias explica que a cidade da Praia dispõe de várias ribeiras e valas de drenagem que necessitam de manutenção permanente, entre elas as ribeiras de São Pedro, Pensamento, São Paulo, Castelão, Água Funda, Jamaica, Santana, Simão Ribeiro e Fundo de Palmarejo. A estas juntam-se diversas valas de drenagem que atravessam bairros como Várzea, Achada Santo António, Tirachapéu, Calabaceira, Bela Vista, Pacheco, Safende e Lem Ferreira.
De acordo com o vereador, a maioria das infraestruturas encontra-se operacional, embora existam projetos em execução, como a vala de Bela Vista, cuja construção será retomada para completar a rede de drenagem naquela zona. Para o responsável, a consciencialização da população continua a ser o principal desafio para garantir uma cidade mais resiliente e reduzir os riscos associados à época das chuvas.
Plano para a época das chuvas
O vereador revelou ainda que a Câmara Municipal dispõe de um plano específico para a época das chuvas, que será apresentado pelo presidente da autarquia nos próximos dias. O documento contempla um conjunto de medidas de prevenção e resposta para reduzir os impactos das precipitações intensas. Apesar do esforço municipal, Carlos Dias considera que o sucesso dessas medidas depende, sobretudo, da mudança de comportamento da população.
Segundo explica, a autarquia tem promovido ações de sensibilização junto das comunidades e dos moradores, mas admite que ainda persistem práticas ilegais de deposição de lixo e entulho, incluindo por parte de algumas empresas de construção civil. “O município não consegue fiscalizar todos os locais durante a noite. Muitos empreiteiros acabam por despejar escombros em bermas de estradas e ribeiras, agravando os problemas de drenagem”, alertou.
Entretanto, o responsável alerta que o despejo indiscriminado de resíduos sólidos e entulho continua a comprometer o funcionamento do sistema de drenagem, aumentando significativamente o risco de inundações nas zonas mais baixas da cidade. “Quando chove, os pontos de saída das águas ficam obstruídos pelo lixo, o que pode provocar alagamentos em locais como a Várzea, a Avenida Cidade de Lisboa e áreas próximas do Palácio do Governo”, explicou.
Carlos Dias lamenta que, poucos dias depois de concluída a limpeza de algumas valas, estas voltem a ficar cheias de resíduos. “Há valas que limpamos numa semana e, poucos dias depois, já estão novamente cheias de lixo. É um trabalho contínuo que representa custos elevados para a Câmara Municipal.”
Apelo à responsabilidade coletiva
Durante a entrevista, Carlos Dias aproveitou para apelar a colaboração dos cidadãos, sublinhando que a limpeza da cidade não depende apenas da intervenção da Câmara Municipal. “O lixo deve ser colocado nos contentores. Se cada cidadão fizer a sua parte, teremos uma cidade mais limpa e muito mais preparada para enfrentar as chuvas”, afirmou.
O vereador acrescenta que a autarquia conta igualmente com o apoio do Governo para reforçar as operações de limpeza, pois reconhece, contudo, que os recursos financeiros municipais são insuficientes para responder à dimensão do problema.
Voz do Archipelago
















































