Sexta-feira, 26 Junho 2026

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Centro de Estudos Africanos em discussão na Uni-CV

Cabo Verde pode vir a ter um centro de estudos africanos. A ideia foi discutida a 11 de junho, na Universidade de Cabo Verde, no âmbito da conferência “Pensar pela nossa cabeça”, em que se conversou sobre a concretização de tal projeto no país com a participação de quatro oradores: António Baptista, diretor do mestrado em liderança e políticas públicas na universidade pública, Dominique (aluno do curso de Direito) e o convidado Abel Djassi Amado, docente cabo-verdiano que reside nos Estados Unidos da América, onde pesquisa sobre política contemporânea e política diaspórica.

Durante o debate, foram discutidas as metodologias a adotar, a estrutura curricular de um curso desta natureza e a importância deste centro de estudos para a afirmação e compreensão da identidade cabo-verdiana. Entre as questões levantadas pela plateia, destacou-se a dúvida sobre se os promotores do projeto conhecem suficientemente a realidade cabo-verdiana, partindo da ideia de que, para conhecer África, é necessário conhecer primeiro o próprio território nacional.

Em resposta, vários participantes defenderam que compreender África é também compreender Cabo Verde, uma vez que o país faz parte integrante do continente e das suas dinâmicas históricas, linguísticas, sociais e políticas. Mas reconheceu-se ainda a pertinência desta questão. De que Cabo Verde faz parte de um “todo” mais amplo, mas que tem as suas próprias individualidades, que têm de ser preservadas e valorizadas sem se perder nesse “todo”.

A criação de um espaço dedicado aos estudos africanos pode contribuir para a desconstrução de conceções de África moldadas por perspetivas eurocêntricas. Ao analisar os seus diversos campos de estudo — da história à política, da cultura à economia — torna-se possível compreender a complexidade que caracteriza os seus 54 países, frequentemente reduzidos a uma imagem homogénea, muitas vezes, errónea e simplista.

É também uma oportunidade para reconhecer a diversidade linguística, social, cultural e política, berço de grandes pensadores, líderes e figuras históricas que marcaram profundamente a luta pela autodeterminação e emancipação de povos, como Amílcar Cabral, Patrice Lumumba, Funmilayo Ransome-Kuti e Albertina Sisulu. Reconhecer essa diversidade é essencial para uma compreensão mais profunda das múltiplas realidades africanas.

Um Centro de Estudos Africanos em Cabo Verde poderá ainda atrair investigadores estrangeiros, criar trocas de saberes e contribuir para o desenvolvimento intelectual e cientifico nacional.

Colaboração: Bruna Castro (estagiária) 

 

 

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