
O Hotel Odjo d’Água inaugurou oficialmente, na sexta-feira passada, a sua nova sala de conferências denominada “Claridosos”, numa homenagem ao movimento literário Claridade, considerado um marco na construção da identidade cultural cabo-verdiana.
A iniciativa presta tributo à histórica revista Claridade e aos seus fundadores, Baltazar Lopes, Jorge Barbosa e Manuel Lopes, figuras centrais no despertar da consciência cultural e social do arquipélago. Apesar de o espaço já estar em funcionamento há alguns meses, a direção do hotel decidiu assinalar oficialmente a abertura com um evento dedicado à valorização da identidade crioula.
O proprietário do hotel, Patone Lobo, explicou que a escolha do nome “Claridosos” representa uma forma de reconhecimento pelo contributo do movimento Claridade na afirmação da identidade nacional. “Foi a partir disso que começámos a sentir-nos identitários. Ajudou-nos a criar a nossa identidade, e isso está tudo ligado à cultura”, afirmou durante a cerimónia.
Segundo Patone Lobo, o Odjo d’Água pretende afirmar-se como um “hotel crioulo”, valorizando elementos ligados à cultura e à história de Cabo Verde. “Temos de enaltecer a nossa cultura e chamar a atenção para coisas que têm interesse para nós”, sublinhou.
O empresário recordou ainda a ligação histórica de Jorge Barbosa à ilha do Sal, onde o escritor exerceu funções como diretor da alfândega, justificando também o simbolismo da homenagem. A entrada da sala é marcada por um painel artístico concebido pelo artista plástico mindelense António Cruz, resultado de uma pesquisa inspirada na estética e nas temáticas do movimento claridoso.
Segundo o artista, a obra procura retratar a dureza da vida nas ilhas, mas também a esperança presente na literatura da época. “Pesquisamos a seca, o agricultor descontente, o sofrimento e os três Claridosos ali, a pensar tudo junto, a inventar o futuro”, explicou Ró.
A cerimónia de inauguração contou ainda com momentos culturais, incluindo declamação de poesia pelo professor Daniel Monteiro e actuações musicais do cantor Mirri Lobo, acompanhado ao violão por Hélder Pelada.







































