Terça-feira, 16 Junho 2026

Desporto

“Underdog”: O estatuto dos Tubarões Azuis que está a gerar apoio mundial

Um “underdog” é o mais fraco, o menos esperado, aquele que ninguém aposta que vai vencer. No desporto, é a equipa pequena que enfrenta os gigantes sem tremer, e é exatamente por isso que todos acabam por apoiá-la. É o que está a acontecer com Cabo Verde, na sua estreia no Mundial 2026. Os apoios estão a chegar de todas as partes do mundo, transcendendo fronteiras, línguas e culturas.

Com menos de 600 mil habitantes, Cabo Verde fez o que parecia improvável — empatou frente à Espanha (0-0), num jogo em que os Tubarões Azuis cometeram uma só falta, batendo assim um recorde que durava desde 1966. E algo inesperado aconteceu a seguir ao nulo diante da poderosa La Roja: o mundo inteiro começou a torcer pela seleção nacional de Cabo Verde.

Das redes sociais às bancadas, de Lisboa a Boston, de Lagos a Mumbai, de São Paulo a Seul, cresce um fenómeno que os apreciadores de futebol conhecem bem — o amor pelo “underdog”. Pelos que chegam sem serem esperados. Pelos que jogam sem medo de perder porque, afinal, já ganharam só por estar lá. Nas redes sociais, um adepto indiano resumiu o sentimento com uma simplicidade desarmante: “Os Tubarões Azuis são um underdog, e nós gostamos de um bom underdog.”

Afinal, Cabo Verde é a terceira menor nação de sempre a qualificar-se para um Mundial, a seguir a Curaçau e à Islândia. Mas o tamanho nunca foi o critério. Não foi em 1975, quando o país conquistou a independência. Não é agora. No futebol, como na vida, há algo de profundamente humano em apoiar quem chega sem ser esperado e luta com tudo o que tem. Cabo Verde chegou ao Mundial. E o mundo — de uma forma ou de outra — já está do seu lado.

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