
As aulas do ano letivo 2026/2027 começaram na segunda-feira, dia 21, em todo o país, mas dezenas de escolas ainda não têm todos os professores nas salas de aula. Delegados da Educação de vários concelhos confirmam vagas por preencher, resultado de transferências, desistências, baixas médicas, aposentações e processos administrativos que ainda decorrem.
Passados os primeiros dias de aulas, o panorama nacional confirma-se desigual entre concelhos. Alguns garantem quadros docentes completos, enquanto outros continuam a gerir vagas em aberto com soluções temporárias, recorrendo a professores de áreas afins ou à redistribuição de alunos por outras turmas, enquanto aguardam colocações definitivas.
Na Escola 13 de Janeiro, na cidade da Praia, em declarações ao Voz do Archipelago, uma mãe relata que o filho, aluno do segundo ano do ensino básico, está sem a sua professora titular por motivo de saúde. Uma situação que abrange todo o país, contudo, a criança não tem um professor substituto nem data prevista para a normalização das aulas, e a turma está a ser distribuída por outras salas. Realista que a mãe considera desconfortável para o seu educando e defende que precisa ser resolvida o mais rápido possível.
Na capital, a realidade muda de escola para escola. O Agrupamento III tem o quadro docente completo, mas o Agrupamento IV arranca com falta de três professores.
Em São Lourenço dos Órgãos, a Delegação Escolar prevê cerca de 1.350 alunos e 125 professores, números que o delegado Adilson de Oliveira admite poderem ainda mudar consoante entradas e saídas de alunos e docentes. Já no Tarrafal de Santiago, o delegado Adilson Costa descreve um arranque normal, com cerca de 3 mil alunos e 240 professores distribuídos por 14 escolas. Costa identifica falta de docentes apenas em áreas específicas, já em processo de resolução.
São Vicente segue a mesma tendência. As autoridades locais atribuem os atrasos a baixas médicas, aposentações e emigração de professores. No Maio, a delegada Esmeralda Martins confirma a falta de oito professores na escolas da ilha. A responsável promete garantir os docentes em falta até ao início de outubro. A ilha recebe este ano cerca de 1.200 alunos e conta com 80 professores.
Na Ribeira Brava, em São Nicolau, a situação se repete, o delegado Januário Gomes admite colocações ainda pendentes, ligadas a processos de transferência e à falta de novos docentes na ilha. O município tem dois agrupamentos escolares, um no centro da Ribeira Brava e outro em Fajã, com cerca de 1.280 alunos e 130 professores. Gomes aponta como prioridades reforçar a qualidade do ensino e intervir nas escolas Baltazar Lopes da Silva e Narciso Romano.
No Sal, o delegado Adilson Cruz descreve um arranque tranquilo e organizado, apesar de nem todos os 372 professores previstos estarem já no concelho por pendências administrativas. A Rede Escolar do Sal soma 7.534 alunos, número que pode chegar aos 8 mil devido ao crescimento demográfico da ilha. Essa pressão populacional reflete-se nas quase 300 salas de aula disponíveis e nas listas de turmas, ainda incompletas nos primeiros dias de aulas.
No Fogo, São Filipe arranca o ano letivo com 5.052 alunos distribuídos por quatro agrupamentos escolares. O delegado José Pedro Gonçalves reconhece vagas por preencher, sobretudo devido a professores transferidos para outros concelhos, com o Agrupamento III como o mais afetado. A realidade repete-se em Santa Catarina, o delegado João Gonçalves aponta o mesmo problema e espera resolvê-lo através de candidaturas espontâneas, num concelho que aguarda 1.278 alunos e 56 professores.
Em Chã das Caldeiras, no mesmo concelho, a escola local passa a acolher alunos do 5.º e 6.º anos. A medida reduz a deslocação de estudantes até Achada Furna, depois do acidente registado em Campanas de Cima.
Santo Antão regista a situação mais estável do país. Na Ribeira Grande, a delegada Maria Teresa da Cruz descreve um arranque sem nenhum sobressalto, com 268 professores a cobrir praticamente todas as necessidades. Restam apenas lacunas pontuais em disciplinas como contabilidade e físico-química.
Na Brava, o delegado Carlos Martins destaca antes a necessidade de aproximar escola, famílias e comunidade, e nota que as saídas de professores têm sido compensadas por uma procura significativa de novos docentes interessados em lecionar na ilha.






















































