Segunda-feira, 31 Agosto 2026

Freskinhe Freskinhe

PR defende reformas urgentes na União Africana

O Presidente da República, José Maria Neves, defendeu, em Luanda, a necessidade de reformas urgentes na União Africana (UA), para reforçar a capacidade da organização,  implementar as decisões tomadas pelos Estados-membros e responder de forma mais eficaz aos conflitos no continente.

Segundo José Maria Neves, a fragilidade institucional da própria União Africana, associada à complexidade de alguns conflitos e à procura de alianças alternativas por parte dos Estados, tem dificultado a aplicação das medidas adoptadas pela organização.

O Presidente da República defendeu, por isso, uma maior capacidade de financiamento das ações da União Africana, de forma a reduzir a dependência externa, bem como uma redistribuição de responsabilidades entre a organização continental, as instituições sub-regionais e os Estados.

Para José Maria Neves, é necessário reforçar a articulação entre os diferentes níveis de governação e promover reformas nos próprios Estados africanos, criando instituições mais capazes e inclusivas. O Chefe de Estado apontou ainda fatores estruturais que contribuem para o agravamento dos conflitos, entre os quais falhas de governação, exclusão política, desigualdades sociais e regionais, desemprego juvenil e pobreza.

A estes fatores juntam-se, segundo o Presidente, elementos aceleradores como as redes sociais, a inteligência artificial, a desinformação e a má informação, além de fatores geopolíticos relacionados com a competição e a interferência das grandes potências em África.

José Maria Neves defendeu igualmente maior diálogo entre as diferentes forças políticas e sociais dos países africanos, considerando que a inclusão política é essencial para alcançar consensos e prevenir conflitos e rupturas constitucionais.

Cooperação entre Cabo Verde e Angola

À margem da Cimeira de Luanda, o Presidente da República reuniu-se com o seu homólogo angolano, João Lourenço, tendo os dois abordado questões relacionadas com as relações de amizade e cooperação entre Cabo Verde e Angola. Entre os assuntos esteve a retoma da ligação aérea entre os dois países, via Dakar. José Maria Neves explicou que a decisão política para a retoma dos voos já foi tomada, estando agora em análise os aspetos operacionais.

O Presidente destacou ainda a necessidade de estudar uma possível conexão entre São Tomé e Luanda, de modo a permitir que cidadãos são-tomenses possam também ter acesso a Cabo Verde através dessa ligação. A cooperação entre os dois países poderá igualmente ser reforçada nos sectores da defesa, turismo, agricultura, pescas, indústria e financiamento de projetos de desenvolvimento.

Sobre a situação na Guiné-Bissau e as recentes questões relacionadas com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), José Maria Neves afirmou que o assunto não foi especificamente discutido com o Presidente angolano. O Chefe de Estado sublinhou, contudo, que a própria Cimeira da União Africana abordou as rupturas constitucionais e os conflitos, defendendo o diálogo e a inclusão de todas as partes na procura de soluções.

PR apela à união da diáspora

Durante a sua deslocação a Angola, José Maria Neves reuniu-se também com a comunidade cabo-verdiana residente naquele país, a quem deixou uma mensagem de união entre as ilhas e a diáspora. “Temos enormes potencialidades, enormes capacidades na diáspora e temos de conseguir unir as ilhas à diáspora para, como Tubarões Azuis, agirmos como um time”, afirmou.

O Presidente defendeu a mobilização das competências e capacidades existentes na diáspora para acelerar o processo de transformação de Cabo Verde. José Maria Neves alertou ainda para desafios demográficos e sociais que o país enfrenta, nomeadamente o êxodo rural, a desertificação de algumas ilhas, a saída de pessoas para o exterior e o envelhecimento da população.

Considerou necessário promover uma reflexão profunda sobre os impactos destes fenómenos na economia, na academia e nas comunidades, defendendo medidas para aumentar os rendimentos das famílias, reduzir a pobreza e as desigualdades, diminuir as assimetrias regionais e criar mais oportunidades em Cabo Verde.

Partilhar esta notícia

Risco e Riso
×