Segundo os relatos, a organização do festival teria assegurado a disponibilização de mesas e cadeiras no espaço destinado aos profissionais de comunicação, de modo a facilitar a realização dos trabalhos de cobertura. Contudo, de acordo com os jornalistas que estiveram no local, a promessa não terá sido cumprida. Ao chegarem ao espaço reservado à imprensa, encontraram uma sala vazia, sem mesas e cadeiras, não estando reunidas, segundo os profissionais, as condições mínimas necessárias para trabalhar.
Perante a situação, jornalistas que acompanhavam o festival optaram por deixar o espaço destinado à imprensa, colocando em evidência uma questão que ultrapassa a organização deste festival: as condições disponibilizadas aos jornalistas para o exercício da sua atividade durante eventos públicos em Cabo Verde. Uma situação põe em evidência a importância de assegurar estruturas apropriadas para a imprensa, sobretudo num festival que recebe jornalistas de diferentes órgãos para a cobertura dos espetáculos.
O episódio da Baía das Gatas não é, contudo, um caso isolado. A falta de condições adequadas para o exercício do trabalho jornalístico é uma realidade que, infelizmente, continua a verificar-se em diferentes tipos de eventos em Cabo Verde, sejam eles culturais, desportivos ou políticos. Não são raras as situações em que jornalistas são colocados em espaços sem condições para trabalhar, com falta de mesas, cadeiras, acesso adequado à internet ou outros meios necessários à cobertura jornalística.
Até em conferências de imprensa, promovidas precisamente para permitir a divulgação de informação através dos órgãos de comunicação social, os profissionais são, por vezes, confrontados com condições inadequadas ou relegados para espaços que dificultam o exercício da sua função, quando garantir condições dignas de trabalho à imprensa não deve ser encarado como um favor ou uma questão secundária. É uma condição essencial para que os jornalistas possam cumprir a sua missão de informar o público com rigor, independência e qualidade.