
A XI Legislatura da Assembleia Nacional abriu hoje, 18 de junho, a sessão constitutiva com dois marcos históricos: uma representação de género próxima da paridade, com 38 homens e 34 mulheres entre os 72 deputados, e a eleição de Janira Hopffer Almada como a primeira mulher a presidir ao parlamento cabo-verdiano.
Segundo os dados divulgados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), os homens representam 52,78% dos parlamentares eleitos, com 38 assentos, enquanto as mulheres ocupam 34 lugares, correspondendo a 47,22% da composição da Assembleia Nacional. A diferença de apenas quatro deputados aproxima o parlamento cabo-verdiano da paridade.
O simbolismo deste equilíbrio ganha ainda maior expressão com a eleição de Janira Hopffer Almada para a presidência da Assembleia Nacional. A deputada do PAICV recebeu 63 votos favoráveis, cinco contra, três abstenções e um voto em branco, tornando-se a primeira mulher a ocupar o segundo mais alto cargo da hierarquia do Estado cabo-verdiano.
Jurista de formação, Janira Hopffer Almada conta com uma longa carreira política, tendo desempenhado funções de ministra da Juventude, Emprego e Desenvolvimento dos Recursos Humanos, presidente do PAICV e deputada da nação. Nos próximos cinco anos, caber-lhe-á dirigir os trabalhos parlamentares e assegurar o funcionamento do órgão legislativo.
A nova legislatura, ficou marcada também pela eleição dos membros da Mesa da Assembleia Nacional. A nova composição do hemiciclo reflete uma das mais equilibradas representações de género da história política do país.
A análise da composição etária dos deputados revela um parlamento maioritariamente composto por representantes em plena maturidade política e profissional. A faixa dos 41 aos 50 anos é a mais representativa, com 33 deputados, seguida do grupo entre os 51 e os 60 anos, que integra 23 parlamentares.
Os dados da CNE indicam ainda que dez deputados têm idades compreendidas entre os 61 e os 70 anos, quatro situam-se entre os 31 e os 40 anos e apenas dois parlamentares pertencem à faixa etária dos 25 aos 30 anos, o que demonstra uma reduzida presença de jovens na nova legislatura.
A distribuição dos mandatos confirma a maioria absoluta alcançada pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), que conquistou 90.660 votos, correspondentes a 48,04% dos votos válidos, elegendo 37 deputados distribuídos pelos diferentes círculos eleitorais nacionais e da diáspora.
O Movimento para a Democracia (MpD) mantém-se como a principal força da oposição, ao eleger 33 deputados, resultado de 84.458 votos, equivalentes a 44,75% dos votos válidos. A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) conservou a sua representação parlamentar, elegendo dois deputados pelo círculo eleitoral de São Vicente.
Já o Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS) e o Partido Popular (PP) não conseguiram representação parlamentar. O PTS obteve 3.268 votos, correspondentes a 1,73% dos votos válidos, enquanto o PP alcançou 529 votos, equivalentes a 0,28%.
Os resultados eleitorais revelam ainda uma expressiva participação feminina no ato de votação. Dos 193.335 cidadãos que exerceram o direito de voto nas legislativas, 53,21% foram mulheres e 46,79% homens, realidade que aponta o papel crescente das mulheres na vida política e democrática do país.

















































