Quinta-feira, 03 Setembro 2026

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O mundo aproxima-se de um novo limite climático – ONU

O planeta vai ultrapassar, nos próximos anos, o limite de 1,5°graus de aquecimento face à era pré-industrial, mas ainda é possível reverter essa trajetória e cumprir as metas do Acordo de Paris, segundo um relatório divulgado esta semana pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente.

O documento insiste que a prioridade deve ser garantir que esse excesso seja o mais pequeno e breve possível, para limitar tanto a subida das temperaturas como o tempo durante o qual se mantêm acima do limiar definido em 2015.

Entre os cenários que o relatório identifica como mais prováveis estão eventos climáticos extremos, a destruição de ecossistemas, e a submersão de Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e de cidades costeiras de baixa altitude, categoria que inclui Cabo Verde. O relatório aponta também consequências graves para a saúde humana, a segurança alimentar, o abastecimento de água e o ambiente em geral.

Face a este cenário, a ONU defende que os países com maior responsabilidade histórica pelas alterações climáticas, e maior capacidade financeira e técnica para lhes fazer frente, devem agir com mais decisão e rapidez.

Ao mesmo tempo, sublinha o documento, os países mais afetados por estes impactos, de forma desproporcional às suas próprias emissões, devem ser incluídos e respeitados nos processos de tomada de decisão internacional.

Para o secretário-geral da ONU, António Guterres, atingir esse objetivo exige um esforço redobrado, ou seja, acelerar o abandono dos combustíveis fósseis, avançar mais depressa na transição para energias renováveis, reduzir de forma acentuada a poluição por metano e proteger terra, florestas e oceanos. Segundo Guterres, estas são as frentes onde a ação internacional precisa de ganhar velocidade nos próximos anos.

O relatório sublinha ainda que as medidas de redução de emissões não bastam por si só, precisam de ser acompanhadas por políticas de adaptação capazes de atenuar os efeitos já inevitáveis da crise climática. Isto porque, uma vez ultrapassado o limite de 1,5°graus, os impactos tendem a multiplicar-se a cada fração adicional de grau, alerta a agência da ONU.

 

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