
Carlos Alberto Pereira Lopes, conhecido no mundo da música como Bino Branco, faleceu ontem, 29, nos Estados Unidos, confirmou fonte familiar. O músico, um dos vocalistas mais reconhecidos do funaná contemporâneo, encontrava-se sob tratamento médico desde 2025, devido a uma doença oncológica grave.
Antes de se tornar um dos rostos mais associados ao ferrinho cabo-verdiano, Bino passou por vários grupos musicais juvenis, com destaque para o Grupo Djassy, onde era vocalista principal. Depois da dissolução dessa formação, em 1991, mudou-se para Brava, ilha onde se tornou presença habitual nas noites musicais locais, consolidando o percurso que o levaria, poucos anos depois, a um dos projetos mais marcantes da sua carreira.
Foi em 1996 que Bino se juntou a Estevão Tavares e a outros músicos para fundar os Ferro Gaita, um grupo criado com o propósito de recuperar a sonoridade tradicional do funaná. Uma iniciativa que devolveu o protagonismo ao ferrinho e à gaita numa altura em que os teclados dominavam o género.
O primeiro álbum da banda, “Fundu Baxu”, chegou às lojas em 1997 e tornou-se um sucesso imediato, tanto em Cabo Verde como na diáspora, dando início a um movimento de revitalização do funaná tradicional que os Ferro Gaita ajudaram a liderar ao longo de mais de três décadas.
A voz de Bino tornou-se, com o tempo, indissociável da imagem do ferrinho na música cabo-verdiana, ao ponto de ser hoje uma referência quase automática sempre que se fala deste instrumento. Ao longo da carreira, gravou sete álbuns originais com os Ferro Gaita, lançou ainda um trabalho a solo e participou em colaborações com vários artistas cabo-verdianos, além de ter levado o grupo em digressões pela Europa, África e América, contribuindo para levar o funaná e a identidade cultural do país a novos públicos além-fronteiras.
Bino Branco deixa um legado que vai muito além dos discos gravados. Durante mais de 30 anos, ajudou a transformar os Ferro Gaita numa das bandas mais influentes da música cabo-verdiana, com um papel determinante na valorização dos ritmos tradicionais de Santiago.
Fotografia: Inforpress

















































