
“Temos audiência, mas precisamos de sustentabilidade”, afirmou a diretora do Voz do Archipelago (VA), Teresa Sofia Fortes, sobre o crescimento do jornal, durante a conferência “Jornalismo, Cultura e Diáspora: Cabo Verde no Espaço Digital Global”, realizada hoje, 24, em Lisboa.
O Voz do Archipelago regista um crescimento expressivo de audiência, as visitas ao site passaram de 23 mil, em 2025, para mais de 64 mil em 2026. Apesar do aumento do número de leitores, o jornal procura parceiros que contribuam para a sua sustentabilidade financeira e assegurem a continuidade do projeto.
Nas redes sociais, o Facebook acumulou cerca de sete milhões de visualizações este ano, e o Instagram aproximou-se das 600 mil. Portugal continua a ser o principal mercado internacional do jornal, com mais de 11 mil visitas ao site em 2026, segundo os dados apresentados pela diretora. Destaca também o crescimento das visitas provenientes dos Estados Unidos, de França e dos Países Baixos, bem como o aumento expressivo da audiência em Cabo Verde.
As visitas no arquipélago passaram de 711 para mais de 10 mil, de acordo com os números divulgados durante a conferência. Para a diretora, esta evolução mostra que o jornal consegue aproximar públicos que vivem nas ilhas e comunidades cabo-verdianas espalhadas pelo mundo, fazendo circular informação entre o país e a diáspora.
Apesar destes resultados, a responsável considera que o crescimento do público precisa de ser acompanhado por um modelo de sustentabilidade que permita ao jornal continuar a investir na produção e divulgação de conteúdos. A expansão da audiência representa uma oportunidade para potenciais parceiros, mas exige transformar o alcance conquistado em apoio capaz de sustentar o projeto a longo prazo.
Teresa Sofia Fortes defende que o apoio à comunicação social deve ir além da compra de espaços publicitários. Na sua perspetiva, as empresas podem estabelecer parcerias com o jornal para chegar a públicos em Cabo Verde e no estrangeiro, e assim contribuir simultaneamente para a continuidade de um veículo de comunicação dedicado à realidade cabo-verdiana.
É neste sentido que a diretora convida empresas cabo-verdianas e organizações ligadas à diáspora a associarem-se ao VA. A proposta passa por construir parcerias que permitam às entidades alcançar uma audiência nacional e internacional, enquanto contribuem para a continuidade de um projeto jornalístico cabo-verdiano.
“Queremos parceiros que não olhem para nós apenas como um jornal onde se compra um espaço publicitário, mas que nos vejam como uma plataforma de comunicação, uma audiência nacional e internacional, particularmente ligada à comunidade cabo-verdiana”, destaca.
A diretora sublinha que o VA já conquistou leitores, credibilidade e uma identidade editorial própria, mas reconhece que esses resultados não garantem, por si só, a sustentabilidade financeira. “Estamos abertos a parceiros que queiram fazer parte do projeto, porque acreditam na importância de uma imprensa cabo-verdiana forte”, declarou.
A responsável considera que o jornal oferece às empresas uma plataforma para comunicar com públicos que ultrapassam as fronteiras do arquipélago, numa relação que pretende construir com profissionalismo e confiança. Teresa Fortes enquadra a situação do jornal num problema mais amplo da comunicação social cabo-verdiana. Para a responsável, o mercado publicitário reduzido e o investimento limitado dificultam a sobrevivência dos órgãos de comunicação, mesmo quando conseguem conquistar público.
Nesta senda, recorda que a história da imprensa em Cabo Verde inclui jornais que encerram pouco tempo depois de serem criados. Uma realidade que demonstra, na sua leitura, a importância de encontrar modelos de financiamento capazes de assegurar a continuidade do trabalho jornalístico e de transformar o crescimento da audiência em condições concretas para a consolidação dos projetos editoriais.
Para a diretora, apoiar um órgão de comunicação social representa também um investimento na informação, na cultura, na memória coletiva e na democracia. A defesa de uma imprensa forte, acrescenta, exige o envolvimento da sociedade e não pode depender exclusivamente do trabalho dos jornalistas.
Quase dois anos depois da estreia do Voz do Archipelago, Teresa Sofia Fortes considera que o projeto já percorreu uma etapa importante, apesar das dificuldades enfrentadas. A prioridade passa agora por consolidar os resultados alcançados, alargar a rede de parceiros e criar condições para que o jornal continue a contar histórias de Cabo Verde e da sua diáspora.
“Uma comunicação social forte não se constrói apenas com jornalistas. Constrói-se com uma sociedade que reconhece o seu valor e está disposta a investir nele”, afirmou, ao agradecer a todos os que têm acompanhado o percurso do jornal.






















































