
Cabo Verde mantém reforçada a vigilância epidemiológica e está a atualizar o plano de contingência para impedir a entrada e eventual propagação do mpox no país, na sequência do surto registado na Guiné-Bissau. A garantia foi dada esta quarta-feira, 26, pela presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Maria da Luz Lima.
Conforme explicou, Cabo Verde dispõe, há mais de um ano, de um plano de contingência para o vírus monkeypox, atualmente designado mpox. Segundo a responsável, o plano é atualizado de forma permanente, tendo em conta as novas informações e orientações das autoridades sanitárias internacionais.
Maria da Luz Lima, sublinhou que o INSP está a reforçar a capacidade de preparação e resposta das estruturas de saúde. O objetivo, explicou, é garantir que um eventual caso suspeito seja rapidamente identificado, diagnosticado e submetido às medidas de saúde pública previstas.
A presidente do INSP adiantou ainda que já foi realizada a divulgação de informação junto dos profissionais de saúde, estando igualmente previsto o reforço da articulação entre as diferentes estruturas sanitárias para assegurar uma resposta rápida perante eventuais casos.
O plano inclui também uma componente de comunicação de risco e envolvimento comunitário, informação que, segundo Maria da Luz Lima, já foi partilhada com dirigentes do Ministério da Saúde, tanto a nível central como local, incluindo delegados de saúde e directores dos hospitais.
Cabo Verde conta igualmente com uma estrutura de gestão de emergências em saúde pública, que inclui o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública, instalado no INSP e mantido permanentemente ativo para responder a diferentes ameaças epidemiológicas.
No domínio laboratorial, Maria da Luz Lima destacou a capacidade adquirida e reforçada durante a pandemia da covid-19, que permite atualmente ao país realizar testes de biologia molecular e efetuar sequenciação genómica. “Em termos de formação e de equipamentos, o país já é diferente”, salientou.
A responsável explicou que, embora os testes sejam específicos para cada microrganismo, a capacidade técnica e humana existente permite ao país responder a novas epidemias e reforçar a investigação de eventuais casos suspeitos.
Relativamente à entrada de pessoas provenientes da Guiné-Bissau, a presidente do INSP esclareceu que a vigilância nos pontos de entrada é da responsabilidade dos delegados de saúde, que dispõem de mecanismos de monitorização e deteção.
Praia, São Vicente, Boa Vista e Sal são os quatro principais pontos de entrada internacionais abrangidos por estes mecanismos, onde são monitorizados passageiros provenientes da região e de outros países africanos.
De acordo com Maria da Luz Lima, a identificação de um eventual caso de mpox à entrada do país depende sobretudo da presença de sintomas associados a um vínculo epidemiológico. “Se a pessoa tiver sintomas e um vínculo epidemiológico”, nomeadamente se esteve na Guiné-Bissau ou noutro país afetado, “é claramente um caso suspeito”, explicou.
Nessas circunstâncias, são accionados os procedimentos previstos, incluindo a realização dos exames necessários e a investigação de outras doenças que possam apresentar sintomas semelhantes, [ara permitir estabelecer um diagnóstico diferencial.
A responsável reforçou que a preparação das autoridades sanitárias não deve estar limitada ao mpox, mas integrar uma estratégia permanente de prevenção e resposta às diferentes epidemias e ameaças à saúde pública.
“Essa preparação é permanente e constante”, afirmou Maria da Luz Lima, defendendo a manutenção do estado de alerta das estruturas de saúde para garantir uma resposta rápida e evitar a propagação de eventuais casos no território nacional.
O mpox é uma doença que se transmite sobretudo através de contacto próximo com uma pessoa infetada, particularmente através do contacto com lesões cutâneas, fluidos corporais ou materiais contaminados. A transmissão também pode ocorrer através de contacto prolongado e próximo entre pessoas.
Na maioria dos casos, a doença evolui de forma espontaneamente favorável ao longo de algumas semanas. No entanto, pode apresentar formas mais graves em determinados grupos, sobretudo em pessoas imunodeprimidas.

















































