
A conferência «Jornalismo, Cultura e Diáspora: Cabo Verde no Espaço Digital Global» realiza-se este sábado, às 16h30, no Centro Cultural de Cabo Verde, em Lisboa. Para Teresa Sofia Fortes, diretora do Voz do Archipelago (VA), promotora da iniciativa, a escolha da capital portuguesa não foi fruto de um acaso, mas resulta de uma decisão que se baseia na convicção de que a diáspora, nomeadamente a que está em Portugal, representa uma oportunidade estratégica para o fortalecimento dos órgãos de comunicação social cabo-verdianos, tanto ao nível da audiência como da sustentabilidade económica e da valorização da identidade nacional.
O encontro pretende promover uma reflexão sobre os desafios que se colocam ao jornalismo na era digital e sobre o contributo das comunidades cabo-verdianas no exterior para o fortalecimento dos meios de comunicação social nacionais. Para Teresa Sofia Fortes, diretora do VA, a diáspora não deve ser vista apenas como um segmento de público, mas como um parceiro estratégico para o futuro do jornalismo em Cabo Verde.
«A diáspora cabo-verdiana tem uma importância enorme para o nosso jornalismo. É uma comunidade que acompanha o que acontece no país, que procura informação sobre as ilhas e que mantém uma ligação permanente à sua terra de origem. Precisamos de compreender melhor as suas necessidades, valorizar a sua participação e criar formas de envolvimento que contribuam para o fortalecimento dos nossos órgãos de comunicação social», considera.
Teresa Sofia Fortes sublinha que, num contexto em que os meios digitais permitem ultrapassar fronteiras geográficas, as comunidades emigradas representam uma oportunidade para ampliar a audiência, diversificar as fontes de receita e estabelecer novas parcerias.
«Para os órgãos de comunicação social privados, sobretudo num mercado pequeno como o cabo-verdiano, a sustentabilidade económica continua a ser um dos maiores desafios. A diáspora pode ajudar a abrir novas possibilidades, seja através de parcerias, do investimento, do apoio à produção de conteúdos ou da criação de relações comerciais que permitam aos nossos jornais continuar a fazer jornalismo de interesse público», afirma.
A responsável do VA considera, contudo, que esta aproximação deve ir além da procura de receitas e de audiência. Na sua perspetiva, importa também reconhecer a diáspora como parte integrante da realidade cabo-verdiana, dando maior visibilidade às suas experiências, iniciativas, preocupações e contributos para o desenvolvimento do país.
«Não podemos falar de Cabo Verde sem falar da sua diáspora. As comunidades cabo-verdianas no exterior fazem parte da nossa realidade social, económica e cultural. O jornalismo tem a responsabilidade de acompanhar essa realidade, dar voz a essas comunidades e contribuir para que os cabo-verdianos, onde quer que estejam, se sintam informados e representados», defende.
Um debate sobre jornalismo, cultura e identidade
A conferência contará com a participação de Jacinto Godinho, João do Rosário e Ana Martinho, num painel que abordará os desafios do jornalismo e dos media digitais, a democracia e a valorização da cultura e da identidade no espaço digital global. O debate será moderado pelo antropólogo Max Rúben Ramos.
A iniciativa surge no âmbito das celebrações do Dia Nacional da Cultura e das Comunidades, assinalado a 18 de outubro, e pretende reforçar o diálogo entre profissionais da comunicação social, académicos, agentes culturais e representantes da diáspora. Para Teresa Sofia Fortes, a realização da conferência em Lisboa constitui também uma oportunidade para aproximar o Voz do Archipelago dos seus leitores e potenciais parceiros no exterior.
«Queremos que esta conferência seja um espaço de reflexão, mas também de aproximação e de construção de pontes. A diáspora tem conhecimento, experiência, capacidade de iniciativa e uma ligação profunda a Cabo Verde. Precisamos de transformar essa relação em oportunidades concretas para o jornalismo, para a cultura e para o desenvolvimento do país», conclui.






















































