Quinta-feira, 20 Agosto 2026

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Moradores de Furna denunciam falta de água há meses

A população de Furna, na ilha Brava, considera “crítica” a situação de abastecimento de água na localidade. Moradores de algumas zonas denunciam períodos superiores a quatro meses sem água nas torneiras.

Perante o agravamento do problema, os moradores voltaram a recorrer à comunicação social para manifestar o seu descontentamento com a irregularidade no abastecimento, que afeta sobretudo as zonas de Cutelo e das proximidades de igreja.

Em declarações à Inforpress, o morador Henrique Andrade classificou a situação como “muito grave”. Afirma que, apesar de pagar mensalmente as faturas, recebe água na torneira apenas de 45 em 45 dias.

Segundo relatou, a situação tem criado dificuldades acrescidas à sua família, sobretudo porque a esposa está doente e não consegue transportar água. “A minha mulher está doente e não pode carregar água. Há dias fui para a cidade, Nova Sintra, com nove bidões para que um amigo me arranjasse um pouco de água”, contou, acrescentando que pagou 500 escudos pelo transporte da água de Nova Sintra para Furna.

Henrique Andrade defende uma intervenção urgente da Águabrava, pois considera que a população de Furna está “a ir de mal a pior”. “A Águabrava tem de ver esta situação, porque já estamos a ir de mal a pior. A zona que mais sofre nesta comunidade é Cutelo e o lado da igreja. Passa-se um mês, 45 dias, para recebermos água”, lamentou.

Também Dulcilina da Luz, moradora em Cutelo, afirmou que já perdeu a noção da última vez que teve água a sair regularmente da torneira. A moradora considera que, enquanto cliente da empresa distribuidora, tem direito a receber regularmente o serviço pelo qual paga. “Nós sabemos que na ilha existe dificuldade de água, mas existe um carro de abastecimento de água na ilha. Penso que deveria ser enviado esse carro para abastecer a nossa localidade”, defendeu.

Dulcilina explicou ainda que, devido à localização da sua residência, é obrigada a recorrer a moradores de zonas mais baixas para conseguir água, pagando posteriormente pelo transporte até à sua casa. “No meu caso, para conseguir água, preciso ir às ruas que ficam mais abaixo para pedir água e pagar alguém para a trazer até em casa. Eu não posso ficar fazendo isso todos os dias. Sou cliente da Águabrava e estou a pagar a minha factura todos os meses”, afirmou.

A atual situação ocorre apesar das promessas de reforço da capacidade de abastecimento de água na ilha. Em Fevereiro de 2025, o então ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, garantiu que o projeto de dessalinização da água do mar permitiria resolver os problemas relacionados tanto com a quantidade como com a qualidade da água na Brava.

Entretanto, a entrada em funcionamento da central de dessalinização tem sido condicionada por constrangimentos técnicos relacionados com a presença de manganês na água captada. Em Fevereiro de 2026, o então ministro afirmou que estava a ser encontrada uma solução técnica para eliminar o manganês antes do processo de dessalinização, tendo apontado março como prazo para a resolução do problema.

Contudo, segundo as informações recolhidas pela Inforpress, a central continua sem entrar em funcionamento. A Inforpress tentou contactar a eempresa para obter uma reação às reclamações dos moradores e esclarecer o atual ponto de situação do abastecimento de água em Furna, mas não obteve resposta até ao momento.

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