
As comunidades locais devem deixar de ser apenas destinatárias das políticas de conservação e passar a participar diretamente na gestão das áreas protegidas em Cabo Verde. A afirmação é do cofundador da Biosfera I, Tommy Melo, que considera o envolvimento das populações essencial para proteger a biodiversidade e garantir uma gestão mais eficaz dos recursos naturais.
À margem do Dia Internacional das Reservas da Biosfera, assinalado a 3 de novembro, o responsável defendeu, em entrevista à Inforpress, a cogestão como uma forma de aproximar as comunidades das decisões sobre os territórios onde vivem. A ideia, explicou, é fazer com que as populações conheçam o valor dos recursos naturais e assumam também responsabilidades na sua proteção.
A Biosfera I tem procurado promover essa aproximação, incentivando os moradores a participar na identificação dos problemas e na procura de soluções. Para Tommy Melo, a conservação não pode depender apenas das instituições, é necessário que as pessoas se envolvam no acompanhamento e na gestão das áreas protegidas.
Essa participação, contudo, precisa de ser acompanhada por uma organização mais eficaz. O responsável considera que Cabo Verde deve aproveitar melhor as cerca de 46 áreas marinhas protegidas, através de um plano de gestão que estabeleça mecanismos de organização e monitorização.
Tommy Melo defende ainda que a proteção ambiental deve criar oportunidades para quem vive nas comunidades abrangidas. Na sua perspetiva, jovens e mulheres precisam de encontrar na conservação novas possibilidades de participação e desenvolvimento económico, para que a preservação da natureza também represente benefícios concretos para as populações.
A necessidade de transformar o reconhecimento internacional em resultados no terreno estende-se às ilhas do Fogo e do Maio, classificadas como Reservas da Biosfera pela UNESCO em 2020. Seis anos depois, o cofundador da Biosfera I considera que o país ainda não aproveita suficientemente esse estatuto e precisa de avançar com medidas concretas de proteção da biodiversidade.
O responsável reitera igualmente que a experiência das duas ilhas deve servir de referência para outras zonas do arquipélago, recorrendo às diferentes categorias de conservação já existentes em Cabo Verde, como as áreas protegidas e as reservas naturais.
Instituído pela UNESCO em 2021, o Dia Internacional das Reservas da Biosfera procura valorizar o papel destes territórios na conservação da biodiversidade e na promoção do desenvolvimento sustentável. Daí, Tommy Melo apela aos decisores para que encarem a conservação como um investimento no futuro económico, cultural e ecológico das ilhas.
Fonte: Inforpress






















































