Terça-feira, 15 Setembro 2026

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Rating soberano de Cabo Verde melhora no primeiro semestre

Cabo Verde é um dos cinco países africanos a ver o seu rating soberano subir por, pelo menos, uma das três principais agências internacionais de notação financeira no primeiro semestre deste ano. De acordo com uma análise da Comissão Económica das Nações Unidas para África, o saldo global é positivo para o continente entre janeiro e junho, período em que se registou mais subidas do que descidas de notação.

Isso significa que o país passa a ser visto com mais confiança pelos mercados internacionais, além de tornar o acesso ao crédito mais fácil e menos dispendioso para o Estado. Essa nova realidade ajuda também a atrair empresas estrangeiras e turistas, o que pode estimular a economia do país, e representa igualmente o reforço da confiança de organizações financeiras globais no trabalho do governo e do banco central.

Além de Cabo Verde, também Gana, Quénia, Nigéria e África do Sul receberam melhorias na avaliação da sua capacidade de pagar aos credores, feita pela Moody’s, Standard & Poor’s ou Fitch. Do lado oposto, apenas Botsuana e Moçambique registaram descidas efetivas de rating soberano no período, enquanto Gabão, Mali e Senegal viram as suas perspetivas revistas em baixa, penalizados por pressões fiscais, riscos de financiamento e dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida.

Segundo os economistas da UNECA, este conjunto de resultados traduz “fundamentos internos mais sólidos” em vários países africanos, apoiados por crescimento económico, reformas fiscais e uma gestão mais cuidada da dívida pública. Ainda que outras economias continuem pressionadas por tensões geopolíticas, volatilidade das matérias-primas e custos elevados do serviço da dívida, o balanço é positivo.

O relatório assinala ainda uma mudança relevante na forma como os investidores avaliam os países africanos. No final de 2025 o foco estava sobretudo na questão da dívida. No primeiro semestre de 2026 as agências passaram a valorizar mais a credibilidade das políticas económicas e a consistência das reformas ao longo do tempo, recompensando países que mantiveram a disciplina orçamental e penalizando os que revelam fragilidades estruturais persistentes.

Este movimento de melhoria nos ratings coincidiu com um regresso mais expressivo de países africanos aos mercados internacionais de dívida. Nos primeiros seis meses do ano, nove países do continente, entre os quais Angola, captaram um total superior a 14 mil milhões de dólares, cerca de 12 mil milhões de euros, através de emissões internacionais.

Conforme a agência da ONU, este dado reflete uma recuperação gradual do acesso aos mercados e um maior apetite dos investidores por soberanos africanos considerados credíveis. Por outro lado, expõe também as “substanciais necessidades de refinanciamento” que vários destes países continuam a enfrentar. Isso reforça a mensagem central do relatório, a de que manter o ritmo das reformas e a credibilidade institucional será decisivo para o desempenho dos ratings africanos nos próximos anos.

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