Sábado, 26 Setembro 2026

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Sistema financeiro do país termina 2025 com posição sólida – BCV

O sistema financeiro cabo-verdiano atravessou 2025 em terreno sólido, mas continua exposto a fragilidades estruturais que o Banco de Cabo Verde considera relevantes, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira divulgado na sexta-feira, 25, pela instituição.

O indicador mais animador do documento é a qualidade dos ativos bancários. O rácio de incumprimento de crédito desce para 5,1%, o valor mais baixo da última década, depois de o stock de crédito em incumprimento ter encolhido 32,4% ao longo do ano. A isto soma-se uma capitalização e liquidez elevadas, e uma rendibilidade que o banco central classifica como favorável, mas nem tudo é isento de riscos.

As duas maiores instituições bancárias do país, o Banco Comercial do Atlântico e a Caixa Económica, controlam agora 55,4% do mercado de crédito, e os cinco maiores depositantes do país representam cerca de um quarto de todos os depósitos. Uma fatia que cresceu 1,2 pontos percentuais no último ano. Já no mercado de depósitos, os bancos de menor dimensão ganham algum terreno, com a quota das maiores instituições a recuar 1,8 pontos percentuais, para 58,7%.

O risco cibernético surge como outra das vulnerabilidades identificadas, num momento de digitalização acelerada dos serviços financeiros. O BCV reconhece que, em 2025, foram detetadas e bloqueadas tentativas de intrusão fraudulenta na rede interbancária de pagamentos, cujas medidas de segurança foram entretanto reforçadas, mantendo-se as interrupções de serviço em níveis reduzidos.

Também os fenómenos climáticos entram na equação, o relatório recorda as chuvas intensas e inundações registadas em algumas ilhas ao longo do ano, com perdas humanas e danos materiais, como exemplo do impacto que a condição insular do país pode ter sobre a economia, os rendimentos e o património de famílias e empresas.

Do lado das famílias, o aumento do emprego formal é acompanhado por um endividamento bancário mais acelerado e sinais de menor capacidade de poupança. Já as empresas registam evolução positiva do volume de negócios, com redução do crédito bancário, mas recorrendo cada vez mais ao mercado obrigacionista para se financiarem.

A ligação entre bancos e setor público, segundo o mesmo documento, também regista uma melhoria, a exposição do setor bancário à dívida pública recua 2,2 pontos percentuais, para 18,8% do ativo bancário. Num contexto em que o rácio da dívida do Governo Central desceu 10,8 pontos percentuais face a 2024, e em que a subida do rating soberano de B para B+, já em 2026, reforça esta trajetória.

Olhando para os próximos meses, o BCV identifica riscos que podem agravar o quadro atual, entre os quais a revisão em baixa das perspetivas de crescimento da economia mundial, a persistência de tensões geopolíticas, com possível subida dos preços de matérias-primas, alimentos e energia e uma eventual deterioração da situação financeira de famílias, empresas e do setor empresarial do Estado. A instituição defende, por isso, a manutenção de um acompanhamento contínuo da estabilidade financeira, como forma de antecipar futuras fontes de risco sistémico.

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Risco e Riso
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