Segunda-feira, 15 Junho 2026

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Mundial 2026: Milhares de cabo-verdianos “invadem” Atlanta para apoiar Tubarões Azuis

“Atlanta é a capital da nação cabo-verdiana nesta segunda-feira”, diz Nancy Semedo-Smith, acompanhada do marido e de dois filhos, todos nascidos nos Estados Unidos, mas com “corações crioulos” e camisolas dos Tubarões Azuis. Esta família é uma das muitas que se deslocaram àquela cidade americana onde hoje, 15, a seleção de Cabo Verde estreia-se numa fase final do Mundial de Futebol.

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O número de cabo-verdianos e descendentes que se encontram em Atlanta “pode rondar os 10 mil, numa projeção minha”, diz Terza Lima-Fortes, que coordena a comissão que organizou uma série de eventos para marcar a presença da seleção de Cabo Verde naquela cidade do Estado de Geórgia.

Terza Lima-Fortes

Ela acrescenta que entre três mil e quatro mil apoiantes dos Tubarões Azuis devem assistir o jogo dentro do Mercedes-Benz Stadium.

A poucos metros do estádio, esses milhares de espectadores irão acompanhar num ecrã gigante o jogo, no meio de muita festa. Aliás, muito eventos começaram antes, com ênfase na promoção de Cabo Verde, como no domingo em que uma Expo serviu para dar a conhecer empresas cabo-verdianas e americanas, promover contactos e as culinárias de Cabo Verde e do sul dos Estados Unidos.

Também no domingo houve muita música a cargo do conhecido grupo integrado por Kim Alves, Tó Alves e Djim Djob e outros. Aquela professora universitária citou também o encontro mantido pelo Presidente da República, José Maria Neves, e o mayor da cidade, Andre Dickens.

Marleny Mont

De Washington DC viajou para Atlanta Marleny Mont, uma conhecida activista comunitária na capital dos Estados Unidos, que diz ter aproveitado o voo para reflectir sobre “quão importante é a diáspora para Cabo Verde e como ela tem apoiado a selecção nacional”.  Mont, descendente de cabo-verdianos e que vai visitar o país pela primeira vez neste verão, reconhece que “desde criança pensou nisto e agora o país está cá” a participar no Mundial. Aquela activista, que diz ser a hora de se reflectir muito sobre o papel da diáspora, aponta o envolvimento dos emigrantes para ajudar delegações mesmo financeiramente e diz estar feliz porque o “mundo vai ver o espírito da morabeza nas faces dos cabo-verdianos”.

Marleny Mont pensa na próxima geração, acredita que ela já sente orgulhosa da sua ascendência e dá como exemplos os filhos dela “que se emocionaram ao ver a selecção ganhar Bermudas” por 3-0. Quanto ao jogo de hoje, Mont afirma que “é um sonho feito realidade e que Independente do resultado, o mais importante é o que fizemos até agora” e congratula-se com este “momento divino” da cabo-verdianidade”, com pessoas de todo o mundo a virem ver os Tubarões Azuis”.

Em Washington DC, por exemplo, a também activista e empresária Licy do Canto organiza com a Embaixada do Luxemburgo um “Watch Party”, em que todos que quiserem podem ver o jogo com a comunidade. Esses eventos acontecem também em várias cidades, quase sempre em restaurantes.

Pedro Chantre

Na Nova Inglaterra, mais precisamente na cidade de Pawtucket, o Dante Club, que baptizou uma duas suas salas com o nome Bubista, terá as suas portas abertas, assim como o restaurante “10 Rocks”, na fronteira entre Pawtucket e Providence. Nas cidades de Brockton e Boston, conhecidos restaurantes vão ser palcos da festa dos cabo-verdianos que mantêm muito fé nos Tubarões Azuis.

O jornalista e activista comunitário Pedro Ben´Oliel Chantre diz que “têm sido festas atrás de festas para celebrar a qualificação de Cabo Verde para o Mundial” e que muitos americanos têm abraçado a causa dos Tubarões Azuis, como o mayor de Pawtucket Donald R. Grebien, quem organizou uma recepção à delegação cabo-verdiana em que estiveram presentes cerca de 10 mil pessoas.

É neste espírito que os cabo-verdianos esperam a participação da selecção de futebol no Mundial, com muita música, gastronomia e futebol. Uma mistura bem cabo-verdiana que, no dizer o técnico Bubista, deve ser “orgulho de qualquer cabo-verdiano”.

Nota da Redação: A produção desta notícia contou com a colaboração do jornalista Álvaro Ludgero Andrade. 

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