
O líder da bancada parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD), Emanuel Barbosa, acusou hoje, 28, o Governo de transformar o Estado numa “agência de emprego partidário”, e questionou os critérios de mérito, transparência e gestão dos recursos públicos nas nomeações e contratações realizadas.
A acusação foi feita durante o debate parlamentar sobre transparência e governação, no qual o deputado criticou a alegada influência da proximidade política no acesso a cargos e funções na Administração Pública. “Em que qualidade se apresenta hoje o senhor primeiro-ministro, como chefe do Governo, como ministro das Finanças responsável por proteger o dinheiro público ou como gestor de uma agência de emprego do PAICV”, questionou Emanuel Barbosa.
Para o líder parlamentar do MpD, a sucessão de nomeações e contratações por parte do Governo exige esclarecimentos quanto aos critérios utilizados, defende que o recrutamento e a ocupação de cargos públicos devem privilegiar a competência e o mérito. “O cartão partidário parece valer mais do que o currículo e a proximidade política mais do que o mérito”, afirmou, considerando que estas práticas levantam preocupações sobre a transparência na gestão da Administração Pública.
“O Estado não é uma agência de emprego partidário. O Orçamento do Estado não é uma folha de salários de um partido”, declarou, defendendo que os recursos públicos devem ser geridos com responsabilidade e que as decisões de contratação devem obedecer a critérios claros e transparentes.
Na sua intervenção, Emanuel Barbosa criticou também a forma como o Governo iniciou o debate, aponta uma alegada incoerência entre a afirmação de que encontrou um país dilapidado e a apresentação de resultados de medidas que, segundo o deputado, exigem disponibilidade de recursos financeiros.
O parlamentar considerou que a transparência deve ser entendida como um direito dos cidadãos e uma obrigação do Governo, não podendo limitar-se à disponibilização de informações em plataformas digitais. Na perspetiva do deputado, a transparência deve refletir-se sobretudo nas decisões tomadas, na divulgação de informações de interesse público e na explicação dos critérios que orientam a atuação dos responsáveis governamentais.
Emanuel Barbosa evocou ainda os resultados de Cabo Verde no Índice de Percepção da Corrupção de 2025, da organização Transparência Internacional, segundo os quais o país obteve 62 pontos e ocupou a 35ª posição entre 182 países.
O líder parlamentar do MpD defende a preservação dos resultados alcançados por Cabo Verde neste domínio, e sublinha a importância de proteger a credibilidade das instituições e de garantir que a governação seja orientada pelos princípios da integridade, da responsabilidade e da prestação de contas.






















































