Quarta-feira, 04 Novembro 2026

Freskinhe Freskinhe

Mindelact critica falta de apoio público e denuncia condições precárias

A Associação Artística e Cultural Mindelact recorreu às redes sociais para pedir o empréstimo de aparelhos de ar condicionado portáteis, de forma a garantir condições para a realização dos espectáculos da 32.ª edição do Festival Internacional de Teatro do Mindelo, perante a falta de climatização do Centro Cultural do Mindelo (CCM).

Num apelo publicado nas redes sociais, a organização informou que, apesar de meses de insistência junto das instituições responsáveis, o problema da climatização da sala permanecia por resolver, tendo sido informada apenas no próprio dia da abertura do festival de que o espaço estaria sem ar condicionado.

A associação explicou que procurou equipamentos em várias lojas, tanto para compra como para aluguer, mas não conseguiu encontrar soluções, apelando a particulares e instituições que pudessem disponibilizar aparelhos portáteis até às 21:00, hora prevista para o início do espectáculo de abertura, denominado “Amontoados”.

A falta de condições foi também denunciada pelo presidente da Associação Mindelact, Yannick Fortes, que considerou “vergonhosa e desrespeitosa” a situação enfrentada pela organização, pelos artistas e pelo público, apontando a ausência de financiamento, de salas de espectáculos adequadas e de apoio das instituições públicas.

Em declarações à Inforpress, após a abertura do festival, o responsável lamentou que, passados 32 anos, a associação continue a enfrentar os mesmos problemas estruturais, apesar do reconhecimento internacional alcançado pelo evento. “É uma vergonha fazer um festival desta dimensão, com esta qualidade de artistas, sem sequer ter um auditório para apresentar os espectáculos”, afirmou.

Yannick Fortes apontou igualmente dificuldades no acesso e na utilização de espaços municipais, como a Academia Jotamont, que poderiam ser aproveitados para ensaios, residências artísticas e apresentações, defendendo que a Câmara Municipal de São Vicente disponibilize essas estruturas à associação para uma programação cultural regular.

Também a responsável pela área financeira da associação, Zenaida Alfama, manifestou indignação com a realização de espectáculos no Centro Cultural do Mindelo sem sistema de climatização, apesar das sucessivas promessas de resolução do problema. “Tenho 32 anos a lutar pelo teatro em Cabo Verde. Estamos a iniciar a 32.ª edição do Festival Mindelact e estamos numa condição que, para mim, chamo vergonhosa”, declarou, durante a cerimónia de abertura.

Zenaida Alfama criticou ainda a falta de apoio das instituições públicas, considerando injusto que a organização tenha de recorrer a iniciativas de solidariedade para garantir condições mínimas de realização de um festival com reconhecimento internacional.

A 32.ª edição do Mindelact reúne mais de 40 espectáculos de oito países, com a participação de artistas nacionais e internacionais. Perante as dificuldades, Yannick Fortes admitiu que a continuidade do festival nos moldes actuais poderá ter de ser repensada, caso não sejam criadas condições para a sua realização, sublinhando que a associação desenvolve actividades culturais ao longo de todo o ano.

Partilhar esta notícia

Risco e Riso
×