
Cabo Verde perde mais de 50% da água produzida, situação que exige medidas concretas para reduzir o desperdício e melhorar a gestão dos recursos hídricos, alertou hoje o ministro do Ambiente, Acção Climática e Energia, Carlos Varela.
O governante falava na abertura do segundo seminário técnico da Comunidade da Água dos Países de Língua Portuguesa, na cidade da Praia, que reúne representantes e especialistas para a partilha de conhecimentos, experiências e boas práticas no domínio da gestão da água.
Na ocasião, Carlos Varela considerou que a água constitui um recurso estratégico para Cabo Verde, tendo em conta a vulnerabilidade do país às alterações climáticas e a escassez de recursos hídricos convencionais. “Não devemos continuar a dar o luxo ou o desluxo de desperdiçar mais de 50% de água que nós produzimos”, afirmou, defendendo a adopção de medidas para reduzir as perdas nas redes de distribuição.
O ministro chama igualmente a atenção para a necessidade de aproveitar melhor as águas pluviais, que, segundo observou, acabam por desaguar no mar e, em determinadas situações, provocam estragos nas cidades e nos centros urbanos. Neste sentido, defendeu investimentos em soluções de captação e armazenamento da água das chuvas.
Carlos Varela destaca ainda a dessalinização da água do mar como um dos pilares do abastecimento urbano do país, sublinhando, contudo, a necessidade de reduzir os custos de produção e distribuição e de reforçar a reutilização de águas residuais tratadas na agricultura, na rega de espaços verdes e na indústria.
No domínio da relação entre água e energia, o governante salienta que Cabo Verde está a acelerar a transição energética, através da integração de energias renováveis nos processos de produção e bombagem de água, com o objetivo de diminuir os custos operacionais e a pegada carbónica. Apesar das medidas já implementadas, reconheceu que persistem desafios relacionados com as perdas de água, a eficiência dos sistemas e a necessidade de melhorar o quadro regulatório e institucional do sector.
O ministro defende também o reforço da cooperação entre os países de língua portuguesa, considerando que a partilha de experiências e conhecimentos técnicos pode contribuir para o fortalecimento das instituições, a capacitação dos profissionais e a identificação de soluções sustentáveis.
Carlos Varela salientou que, apesar das diferenças geográficas e socioeconómicas entre os países participantes, existe um compromisso comum de garantir o acesso universal à água potável e ao saneamento básico, em conformidade com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.
O seminário pretende promover o diálogo e a aprendizagem mútua entre os participantes, com vista à identificação de soluções que melhorem a qualidade dos serviços de abastecimento de água e contribuam para a sustentabilidade dos recursos hídricos.






















































