Segunda-feira, 12 Outubro 2026

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Acidente de 5 de setembro no Fogo já tem causas apuradas

A perda total da eficácia do sistema de travagem, provocada pelo sobreaquecimento dos travões, a sobrelotação, e a falta de inspeção válida da viatura, são as causas do acidente que ocorreu a 5 de setembro, na ilha do Fogo. A informação consta no Relatório Final do Inquérito Técnico-Administrativo apresentado hoje, 12, na cidade da Praia.

A comissão, criada pela Resolução n.º 104/2026, de 11 de setembro, explica que o calor acumulado nos travões dilatou os tambores e reduziu o atrito, até o sistema deixar de travar. Classifica esta fadiga térmica severa como a causa determinante do acidente.

Conforme a mesma fonte, a tragédia não ocorreu de um único fator, a comissão conclui que o acidente resultou de uma cadeia elementos, que envolve as vertentes mecânica, operacional, de infraestrutura, administrativa e de fiscalização.

A perícia mecânica encontrou falhas graves na viatura. Os tambores de travão mediam 325 milímetros, acima do limite máximo de 322. Esses tinham desgaste severos, soldaduras e adições metálicas artesanais e a geometria original alterada. Ademais, o veículo não tinha travão auxiliar por escape e apresentava anomalias na direção.

As condições da via também pesaram nas conclusões. O percurso tem 25 quilómetros, um desnível aproximado de 773 metros e um declive máximo de 19% na zona crítica. O pavimento estava em bom estado e a visibilidade era boa no ponto analisado, mas faltavam barreiras metálicas, muros ou outros sistemas de contenção nas zonas críticas.

Na viatura seguiam 38 ocupantes, para 30 lugares, ou seja, o excesso aumentou a massa e a energia cinética do veículo e sobrecarregou os travões. Segundo o relatório, a última inspeção do veículo fora feita a 30 de setembro de 2025 e a validade terminou a 28 de fevereiro de 2026, pelo que a viatura circulava havia mais de seis meses sem inspeção válida.

Quanto ao fator humano, a comissão afasta a hipótese de negligência voluntária, de síncope médica e de crise hipoglicémica incapacitante, aliás, sublinha que os elementos analisados indicam tentativas de controlar a viatura a fim de proteger os passageiros.

No relatório, entre as medidas prioritárias constam rampas de escape, barreiras de proteção, sinalização reforçada, um centro de inspeção permanente no Fogo, tacógrafos digitais e pesagem e controlo de passageiros. Prevê também a imobilização de veículos inseguros, formação especializada para condutores e apoio às vítimas e às famílias.

O documento inclui ainda uma proposta de resposta governamental ao Conselho de Ministros, que passa por acolher as conclusões do relatório, determinar um plano nacional de resposta e criar um mecanismo interinstitucional de acompanhamento. O trabalho de campo na ilha decorreu entre 15 e 20 de setembro e incluiu análises forense, mecânica, de infraestruturas, administrativa e testemunhal.

Setembro foi um mês cinzento tanto para a ilha do Fogo, como para todo o país, o acidente que ocorreu no troço Chã das Caldeiras, precisamente em Campanas de Cima, na Ribeira Lachido, ceifou a vida de 25 pessoas, na sua maioria crianças, e deixou mais 13 feridas. O luto ainda faz-se presente naquela ilha e os familiares das vitimas estão a ter acompanhamento psicológico.

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