
A presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Maria da Luz Lima, garante que Cabo Verde está a reforçar a preparação e a capacidade de resposta para prevenir a entrada do vírus do ébola e de outras doenças infecciosas de elevado risco, através do fortalecimento da vigilância nos pontos de entrada do país.
As declarações foram feitas esta terça-feira, 30, à margem da abertura do Workshop sobre Gestão de Eventos Biológicos de Alto Risco nos Pontos de Entrada, que decorre até 3 de julho, na cidade da Praia. O encontro reune representantes de várias instituições nacionais ligadas à saúde pública e à gestão de emergências.
Segundo Maria da Luz Lima, Cabo Verde não regista atualmente qualquer caso suspeito de doença pelo vírus ébola, mas, devido às ligações aéreas e marítimas com vários países, incluindo alguns afetados por surtos, é fundamental manter um elevado nível de vigilância.
Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificar o arquipélago como um país de baixo risco para a introdução do vírus, a responsável alertou que o atual contexto epidemiológico, marcado pelos surtos na República Democrática do Congo e no Uganda, exige preparação permanente.
“Os pontos de entrada são onde tudo começa. Embora Cabo Verde não tenha fronteiras terrestres, tem fronteiras aéreas e marítimas, e esses locais podem constituir zonas de entrada de doenças. Há necessidade de estarmos preparados em todos os níveis”, afirmou.
A presidente do INSP explicou que o plano nacional de preparação assenta numa abordagem multissectorial, contemplando o reforço da capacidade laboratorial, a prontidão das unidades hospitalares e a formação de profissionais de saúde, bem como de trabalhadores dos sectores aeroportuário e marítimo, para a deteção precoce de casos suspeitos provenientes de zonas endémicas.
No âmbito da formação será realizado um exercício de simulação destinado a testar os mecanismos de resposta em caso de identificação de um caso suspeito, para permitir avaliar os procedimentos, os fluxos de comunicação e a articulação entre as diferentes entidades envolvidas. “O objetivo é que todos tenham a mesma informação, saibam o que fazer, quem acionar e como agir caso surja uma situação real”, explicou.
Maria da Luz Lima considerou que investir na preparação constitui uma estratégia essencial para reduzir os impactos de eventuais emergências sanitárias, e defende que a rapidez na deteção de casos é determinante para uma resposta eficaz. “Quanto mais cedo forem detetados os casos e quanto mais preparados estiverem os profissionais e a população, mais eficiente será a resposta”, concluiu.
O workshop reúne representantes dos ministérios da Saúde, Agricultura e Ambiente, da Protecção Civil, da Agência de Aviação Civil, das autoridades aeroportuárias e marítimas, entre outras instituições, seguindo a abordagem “Uma Só Saúde“, que promove a articulação entre os setores da saúde humana, animal e ambiental.
















































