Quinta-feira, 28 Maio 2026

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INSP reforça monitorização da esquistossomíase na Calheta de S.Miguel

O Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), em parceria com instituições nacionais e de Portugal, reforçou esta segunda-feira, 4, as ações no terreno para analisar a situação da epidemia de esquistossomíase no município da Calheta de São Miguel.

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Em declarações à imprensa, a presidente do INSP, Maria da Luz Lima, informou que as equipas técnicas realizaram a quarta ronda de fiscalização e monitorização direta nas zonas afetadas. Segundo a responsável, esta nova ronda contou com o apoio da Delegacia de Saúde da Calheta de São Miguel, do Ministério da Agricultura e do Instituto de Higiene e Medicina Tropical de Lisboa.

“Especialistas de Lisboa apoiam a investigação epidemiológica e a análise laboratorial dos vectores. Contamos igualmente com o apoio de pescadores e de técnicos do Ministério da Agricultura, que colaboraram na identificação de focos de contágio nas linhas de água”, explicou.

Maria da Luz Lima sublinhou que o parasita se aloja em moluscos de água doce presentes em tanques e ribeiras, sendo a infecção humana transmitida através do contacto com água contaminada. “As pessoas infectadas que libertam urina nos tanques de água ou ribeiras propagam os microrganismos, perpetuando o ciclo. Neste momento a situação é estável, mas podem surgir novas infecções na época das chuvas, período em que aumenta o risco de dispersão do parasita”, afirmou.

Face à aproximação da época das chuvas, a presidente do INSP defendeu a elaboração de um plano de acção reforçado, com medidas de prevenção, vigilância e sensibilização da população. “Ultimamente não foram diagnosticados casos novos, mas dada a existência de hospedeiros intermediários, como os moluscos e caramujos, e a proximidade da época das chuvas, há necessidade de sensibilizar a população, fazer a vigilância e a investigação”, reiterou.

Entre as medidas previstas estão campanhas de comunicação, tratamento dos locais sinalizados e reforço das recomendações de segurança dirigidas à população e aos turistas. Neste sentido, Maria da Luz Lima alertou para a proibição estrita de banhos nas zonas identificadas como de risco e apelou aos pais para impedirem as crianças de brincar ou urinar nas águas contaminadas.

No município da Calheta de São Miguel foi reportada, pela primeira vez em Cabo Verde, a presença do parasita Schistosoma haematobium, a 5 de Maio de 2022, facto que desencadeou uma investigação para confirmar o diagnóstico, caracterizar o surto, identificar as formas de transmissão e recomendar medidas de prevenção e controlo. Já em Janeiro deste ano, no mesmo concelho, foram confirmados novos casos de esquistossomíase, sobretudo em crianças do sexo masculino.

A esquistossomíase é uma infecção parasitária causada por vermes do género Schistosoma. A doença é adquirida através do contacto com água doce contaminada, como lagos, tanques ou ribeiras, onde vivem moluscos hospedeiros que libertam larvas do parasita. As larvas, conhecidas como cercárias, penetram activamente na pele humana quando as pessoas entram em contacto com águas infestadas.

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