
A economia cabo-verdiana deverá crescer 5% em 2026 e em 2027, o ritmo mais elevado entre as economias lusófonas analisadas, uma dinâmica que contraria o cenário mundial, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), no World Economic Outlook divulgado esta terça-feira, 13.
O valor fica abaixo da expansão de 6,3% estimada para o arquipélago em 2025. O FMI prevê ainda uma inflação de 1,2% este ano e de 2,8% em 2027, e uma taxa de desemprego estável em 8,5% nos três anos analisados.
É importante entender que esse crescimento económico não significa, necessariamente, um aumento imediato dos rendimentos das famílias ou uma redução do custo de vida. Na prática, indica que o país deverá produzir mais bens e serviços, impulsionado, por exemplo, pela atividade turística, pelo comércio, pela construção e pelos transportes.
Contudo, esse crescimento poderá ter impacto na população, se gerar novas oportunidades de emprego e beneficiar empresas e trabalhadores, bem como contribuir para a evolução dos salários e da distribuição dos rendimentos.
Da mesma forma, a inflação de 1,2% prevista para 2026 significa que os preços dos produtos vão aumentar, em média, a um ritmo mais lento. Ou seja, mesmo que os preços subam menos, as famílias continuarão a sentir o peso das despesas com alimentação, habitação, água, eletricidade e transportes.
Embora as previsões do FMI apontem para uma evolução positiva da economia cabo-verdiana, a melhoria das condições de vida dependerá da capacidade de transformar esse crescimento em emprego digno, melhores rendimentos e maior poder de compra para a população.
Nas outras economias africanas de língua portuguesa, a Guiné-Bissau deverá crescer 4,7% em 2026 e 4,9% em 2027. Já a Angola deverá acelerar de 3,1% em 2025 para 4,4% em 2026 e abrandar para 3,3% em 2027. Fora de África, Timor-Leste deverá crescer 4% este ano e 3,7% no próximo.
Moçambique, São Tomé e Príncipe, Brasil e Portugal ficam abaixo. Moçambique deverá crescer 1% em 2026 e 2% em 2027, depois de uma contração estimada de 0,2% em 2025. São Tomé e Príncipe deverá crescer 0,4% e 1,9%, o Brasil 2,2% e 1,9%, e Portugal, cuja previsão foi revista, 2,1% e 1,9%.
Em paralelo à realidade mundial, o FMI prevê que o crescimento abrande para 3,1% em 2026 e recupere para 3,4% em 2027. A inflação global deverá subir para 4,7% este ano e recuar para 4,1% no seguinte. A instituição sublinha que a atividade económica mundial continua resiliente e que as economias importadoras de energia fora da cadeia de valor tecnológica enfrentam as perspetivas mais difíceis.






















































