
A ministra da Família, Inclusão, Desenvolvimento Social e Trabalho, Adelsia Almeida, afirmou hoje que o combate ao consumo abusivo de bebidas alcoólicas constitui uma prioridade do Governo. Por isso, defende uma abordagem integrada e multissectorial para proteger as famílias, as crianças e os jovens cabo-verdianos.
Durante a sessão solene comemorativa do 10º aniversário da campanha “Menos Álcool, Mais Vida”, realizada na cidade da Praia, Adelsia Almeida alertou para a dimensão do problema no país, e sublinhou que os dados disponíveis revelam uma realidade preocupante. “Segundo a Organização Mundial da Saúde, 45% da população cabo-verdiana consome bebidas alcoólicas, o que coloca Cabo Verde entre os países africanos com maior consumo de álcool”, afirmou.
A ministra acrescentou que cerca de 12% da população adulta apresenta um consumo prejudicial à saúde, enquanto entre 25 e 27 mil cabo-verdianos vivem em situação de dependência alcoólica, necessitando de acompanhamento e tratamento especializado. Segundo a governante, o uso abusivo do álcool está associado ao aumento de doenças crónicas, problemas de saúde mental, violência baseada no género, acidentes de viação, abandono escolar, criminalidade, perda de produtividade e desestruturação familiar.
“Combater o uso abusivo do álcool significa proteger a saúde pública, fortalecer as famílias, prevenir a pobreza, promover a inclusão social e garantir melhores oportunidades para as nossas crianças e jovens”, afirmou. No seu discurso, Adelsia Almeida enalteceu o trabalho desenvolvido ao longo da última década pela Fundação Menos Álcool, Mais Vida, e considerou que a instituição conseguiu transformar um tema frequentemente silenciado “num verdadeiro movimento de mobilização nacional”.
A ministra homenageou igualmente os parceiros envolvidos na campanha, entre os quais a Organização Mundial da Saúde, ministérios, câmaras municipais, escolas, universidades, igrejas, profissionais de saúde, organizações da sociedade civil, líderes comunitários e voluntários. Apesar dos progressos alcançados, reconheceu que persistem desafios importantes, como a venda de bebidas alcoólicas a menores, o consumo cada vez mais precoce entre adolescentes e crianças, a normalização do consumo excessivo, as limitações na fiscalização e a necessidade de reforçar os serviços de prevenção, tratamento, reabilitação e reinserção social.
Na oportunidade, a responsável assegurou que o novo Governo pretende investir no reforço das políticas preventivas. “Queremos investir cada vez mais na prevenção, porque a prevenção salva vidas. Queremos programas dirigidos às famílias, às crianças e aos adolescentes, apoiar as organizações da sociedade civil e promover ambientes escolares, comunitários e laborais mais saudáveis”, declarou.
A ministra garantiu ainda que a intervenção governamental será desenvolvida em articulação com os setores da saúde, educação, proteção social, justiça, juventude, cultura, desporto, emprego, autarquias e organizações da sociedade civil. No final da intervenção, apelou ao compromisso de toda a sociedade cabo-verdiana no combate ao alcoolismo, sublinhando que a luta não é contra as pessoas que enfrentam a dependência, mas sim “pela dignidade humana, pela protecção das famílias, pela saúde pública e pelo futuro das crianças e dos jovens”.
















































