Quarta-feira, 01 Julho 2026

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Campanha nacional reduz consumo abusivo de álcool, mas desafios persistem

O presidente da Fundação Menos Álcool, Mais Vida, Manuel Faustino, afirmou hoje, 01 de julho, que a campanha lançada em 2016 conseguiu transformar o combate ao consumo abusivo de bebidas alcoólicas num movimento nacional de sensibilização, mas alertou que os desafios permanecem e exigem maior investimento na prevenção, educação e fiscalização. 

As declarações foram feitas durante a sessão solene comemorativa do 10º aniversário da campanha, realizada nna cidade da Praia, no âmbito do Dia Nacional de Luta contra o Uso Abusivo de Bebidas Alcoólicas. Durante a cerimónia, Faustino recordou que, quando a campanha foi lançada, o objetivo era trazer o tema para o debate público, tendo em conta que o consumo excessivo de álcool estava profundamente enraizado nos hábitos sociais e culturais do país.

“Não imaginávamos que esse processo assumiria a dimensão que a campanha veio a alcançar”, afirmou, acrescentando que a adesão da sociedade superou as expectativas iniciais. Segundo Manuel Faustino, ao longo da última década a campanha conseguiu envolver instituições públicas e privadas, escolas, igrejas, organizações da sociedade civil, artistas e comunidades, através de ações de sensibilização em todo o território nacional e junto da diáspora.

O responsável destacou ainda que este movimento contribuiu para a aprovação da nova legislação sobre o álcool e promover uma maior consciencialização da população sobre os riscos associados ao consumo abusivo de bebidas alcoólicas. Com base em estudos realizados em Cabo Verde, Manuel Faustino destacou que 17% dos cidadãos afirmaram ter deixado de consumir álcool ou reduzido o consumo devido à campanha “Menos Álcool, Mais Vida”, resultado que atribuiu ao esforço conjunto de centenas de parceiros.

Apesar dos avanços, advertiu que o país continua a enfrentar desafios significativos. “Os fatores que contribuem para o uso abusivo do álcool e de outras drogas continuam muito poderosos e nem sempre são enfrentados com a determinação exigida”, afirmou. Nesse sentido, defende o reforço da educação, da sensibilização, da fiscalização e da criação de alternativas saudáveis de lazer, considerando estas medidas essenciais para reduzir o consumo nocivo de bebidas alcoólicas.

Manuel Faustino anunciou ainda que as comemorações do décimo aniversário da campanha vão prolongar-se durante todo o ano de 2026, com atividades em todos os municípios do país, incluindo conferências com especialistas internacionais sobre prevenção, políticas públicas e dependências. Na mesma cerimónia, a representante da Organização Mundial da Saúde em Cabo Verde, Ann Lindstrand, destacou a parceria mantida com o país desde o lançamento da campanha, em 2016, na sequência do convite formulado pelo então Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca.

A responsável sublinhou que o álcool continua a constituir um dos principais fatores de risco para doenças, incapacidades, violência e mortes prematuras, lembrando que, segundo a OMS, 2,6 milhões de pessoas morrem todos os anos no mundo devido ao consumo de álcool, estando este associado a mais de 200 doenças e problemas de saúde.

Relativamente a Cabo Verde, referiu que os dados do Inquérito aos Fatores de Risco das Doenças Não Transmissíveis de 2020 revelam que 45% da população com mais de 15 anos consome bebidas alcoólicas e 17% apresenta consumo nocivo.

Ann Lindstrand defende o reforço das políticas públicas de prevenção e reitera a disponibilidade da Organização Mundial da Saúde para continuar a prestar assistência técnica ao país, nomeadamente na atualização da Estratégia Nacional de Prevenção dos Problemas Ligados ao Consumo de Álcool e na implementação das medidas preconizadas pela iniciativa SAFER, da OMS, destinadas a reduzir os danos associados ao consumo de bebidas alcoólicas.

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