
São Vicente assinala esta terça-feira, 11 de agosto, um ano desde a passagem da tempestade Erin, que provocou nove mortos, dois desaparecidos, cerca de 1.500 desalojados e mais de 3.000 pessoas afetadas. Um ano depois, 36 famílias continuam em processo de realojamento, enquanto a Câmara Municipal e o Governo asseguram o pagamento das respectivas rendas.
A informação foi avançada pelo vereador da Proteção Civil da Câmara Municipal de São Vicente, José Carlos da Luz, durante um balanço das intervenções realizadas na ilha desde a passagem da tempestade, a 11 de Agosto de 2025. Segundo o autarca, na sequência da tempestade foram realojadas 76 famílias que ficaram sem condições de habitabilidade e que, inicialmente, foram encaminhadas para um centro de acolhimento.
“Realojamos as famílias que ficaram desabitadas, que ficaram no centro de acolhimento. Realojamos 76 famílias, temos mais 36 famílias que estão no processo de realojamento”, afirmou. As 36 famílias continuam a beneficiar de apoio através do pagamento de rendas, enquanto decorrem os procedimentos para o seu realojamento definitivo no complexo habitacional de Clarinete, em Ribeira de Julião.
Um ano marcado por fortes danos
A tempestade Erin atingiu São Vicente durante a madrugada de 11 de Agosto de 2025 e, em cerca de cinco horas de chuvas torrenciais, provocou cheias e inundações em vários pontos da ilha. Foram registados 193 milímetros de chuva em apenas cinco horas, um volume superior à média anual de precipitação de São Vicente, estimada em 116 milímetros.
As águas invadiram bairros, habitações, estabelecimentos comerciais e vias públicas, arrastaram viaturas e animais e provocaram deslizamentos de terras, desabamentos de muros e destruição de estradas e outras infra-estruturas. A tempestade afetou igualmente o fornecimento de água e eletricidade e provocou danos em equipamentos e meios de subsistência de famílias e empresas.
O setor das pescas esteve entre os mais afetados, com 833 pescadores e peixeiras a registarem perdas de pescado, arcas frigoríficas, malas térmicas, motores, botes e outros equipamentos. Na Praça Estrela, comerciantes contabilizaram milhões de escudos em prejuízos depois de a água e a lama terem invadido as barracas.
Recuperação contínua
Ao longo do último ano, a Câmara Municipal realizou várias intervenções de recuperação. Entre os trabalhos destacados pelo vereador estão a recuperação da Praça Estrela, incluindo o mercado de verduras, e do jardim Amílcar Cabral. A autarquia recuperou ainda o muro de proteção do Centro de Estágio, a estação de bombagem de Caizim, que ficou submersa e totalmente destruída, bem como as estações de bombagem de Comando Naval, Lazareto e Quinta de Santana.
As intervenções permitiram também recuperar a estação de tratamento de águas residuais, danificada durante a tempestade, para garantir novamente o encaminhamento das águas afluentes da cidade para aquela infra-estrutura. Foram igualmente realizadas obras em vias de acesso e operações de limpeza de sedimentos em diferentes zonas da ilha.
Apesar dos trabalhos realizados, José Carlos da Luz reconhece que “ainda há trabalho por fazer”, porém, devido a dimensão dos estragos, tornou impossível concluir todas as intervenções num único ano. “Já fizemos limpeza de sedimentos em todas as zonas, ainda há muito por fazer”, afirmou.
Apoios às famílias e economia
Face à dimensão dos danos, o Governo declarou o estado de calamidade e mobilizou meios nacionais e internacionais para apoiar as populações afetadas e a recuperação das infra-estruturas. Entre as medidas adoptadas esteve a criação, pelo Banco de Cabo Verde, de um Programa de Assistência de Emergência, com uma linha de financiamento que podia atingir 10 mil milhões de escudos para apoiar a recuperação das entidades afectadas.
Em abril de 2026, o Governo aprovou também, a título excepcional, o direito à pensão de sobrevivência para os herdeiros das nove vítimas mortais da tempestade Erin. Um ano depois, a passagem da Erin continua marcada na memória de São Vicente pelas vidas perdidas e pelos danos provocados nas habitações, estradas, infra-estruturas, atividades económicas e serviços essenciais. O processo de recuperação prossegue, mas o realojamento das 36 famílias permanece entre os principais desafios ainda por concluir.

















































