
Enquanto os aeroportos e portos de Cabo Verde registaram, no segundo trimestre de 2026, crescimentos de dois dígitos no movimento de aeronaves, navios e mercadorias, o transporte público rodoviário sofreu uma quebra de 10,6%, segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
O contraste entre meios de transporte marca o período de abril a junho, com os transportes aéreos a disparar quase 60% e o número de passageiros no transporte coletivo urbano diminuiu mais de 646 mil face a 2025.
Os números do INE traçam um retrato assimétrico da mobilidade no arquipélago. No setor aéreo, os 9.572 movimentos de aeronaves contabilizados entre abril e junho representam mais 1.214 decolações e aterragens do que no mesmo intervalo do ano passado.
O acréscimo de 14,5% que supera, em termos relativos, o crescimento do número de passageiros (4,6%), o que indica que voaram mais aviões, mas com menor lotação média por voo.
A grande surpresa vem do porão dos aviões, as cargas transportadas por via aérea aumentaram 168.222 quilogramas, passando de 280.896 para 449.118 quilogramas, um salto de 59,9% que o INE. Os correios acompanharam esta tendência, com mais 16.892 quilogramas expedidos (mais 15,4%).
No mar, o movimento portuário também acelerou. Os 384.715 passageiros que embarcaram ou desembarcaram nos portos nacionais no segundo trimestre representam mais 56.533 pessoas do que em 2025, um crescimento de 17,2% que supera o do setor aéreo.
As mercadorias portuárias somaram 879.586 toneladas, com um aumento de 10,9% (mais 86.773 toneladas), e os contentores de 20 pés (TEU) cresceram 16,7%, para 30.440 movimentos. O desembarque de mercadorias continua a dominar, com 67,4% do total.
Em sentido oposto, o transporte coletivo urbano por autocarro perdeu fôlego. Foram transportados 5.430.922 passageiros, menos 646.921 do que no segundo trimestre de 2025, uma redução de 10,6%. Apesar desta queda, o índice de passageiros por quilómetro aumentou 23,8%, para 38,9, o que sugere que as viagens realizadas são mais longas ou que a frota reduziu a oferta. De resto, as horas trabalhadas pelos transportes urbanos caíram 15,7%, para 107.191 horas, o que confirma uma contração da operação rodoviária.

















































