Segunda-feira, 20 Abril 2026

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Rentabilidade da banca cabo-verdiana abranda, apesar de indicadores sólidos

A rentabilidade do setor bancário em Cabo Verde registou um ligeiro abrandamento em 2025, com o retorno sobre capitais próprios (ROE) a fixar-se em 18,08% antes de impostos, abaixo dos 18,52% registados no ano anterior, segundo dados divulgados pelo Banco de Cabo Verde.

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Apesar da desaceleração, o desempenho representa o segundo melhor resultado desde o início da série, em 2010. Também o retorno sobre ativos (ROA), indicador que mede a eficiência do setor, atingiu 1,94% antes de impostos em dezembro de 2025, ficando ligeiramente abaixo dos 1,96% registados em 2024, mas mantendo-se como o segundo valor mais elevado da série. De acordo com o banco central, a margem financeira continuou a dominar o produto bancário, representando mais de 80%, o que evidencia o peso da atividade tradicional de intermediação no sistema financeiro nacional.

Por outro lado, a liquidez da banca cabo-verdiana reforçou-se em 2025. O rácio de ativos líquidos sobre o total de ativos subiu para um máximo histórico de 28,30%, acima dos 25% registados no final de 2023 e dos 25,89% de dezembro de 2024. Já o rácio de ativos líquidos sobre passivos de curto prazo atingiu 35,40%, também um recorde, refletindo uma maior capacidade de resposta às obrigações imediatas.

Em sentido inverso, o rácio de transformação — que mede o crédito concedido face aos depósitos — desceu para 52,19%, o valor mais baixo desde o início da série.mNo que diz respeito à solidez do sistema, o rácio de solvabilidade subiu para um máximo histórico de 24,82% em dezembro de 2025, enquanto o rácio de crédito em incumprimento recuou para 5,11%, um dos níveis mais baixos registados.

Apesar da evolução positiva dos principais indicadores, parceiros internacionais como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e o Grupo de Apoio Orçamental têm alertado para vulnerabilidades associadas aos riscos das empresas públicas e à elevada concentração da economia cabo-verdiana em setores como o turismo, construção e comércio, particularmente sensíveis a choques externos. Estas instituições têm defendido a necessidade de acelerar a diversificação económica e implementar reformas estruturais no setor público.

Atualmente, Cabo Verde conta com oito bancos abertos ao público, quatro dos quais considerados de importância sistémica pelo banco central, estando sujeitos a requisitos adicionais de capital para reforçar a resiliência do sistema financeiro.

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