
Faleceu Domingos da Ressurreição Andrade da Silva Fernandes, mundialmente conhecido como Mestre Pascoal, cantor e multi-instrumentista que dedicou toda a sua vida à preservação, valorização e transmissão da Cimboa — um dos instrumentos mais antigos de que há registo em Cabo Verde.
O Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC) já manifestou profundo pesar pelo desaparecimento do artista cujo domínio da cimboa ia além da execução. Num post na rede social facebook, o MCIC escreve que Mestre Pascoal “conhecia os segredos da construção artesanal do instrumento, saberes que transmitia às novas gerações com dedicação e generosidade.”
Ao longo dos anos, colaborou estreitamente com o Instituto do Património Cultural, participando em projetos de investigação, resgate e transmissão de saberes tradicionais. O seu contributo foi decisivo para manter viva a tradição de construção e execução da cimboa, reafirmando a continuidade de uma das mais genuínas expressões da identidade cabo-verdiana.
Discípulo do lendário Manu Mendi, Mestre Pascoal soube perpetuar esse legado, afirmando-se como artista de reconhecido talento e autenticidade. Nos últimos anos, integrou o grupo Anu Nobo Quarteto + 1, levando aos palcos a riqueza sonora da cimboa e promovendo o instrumento junto de públicos nacionais e internacionais.
Para além do talento musical, era reconhecido pela sua grande estatura humana: coração generoso, espírito solidário e humildade que o tornavam um mestre respeitado e admirado. Entregava-se de corpo e alma a cada projeto cultural, inspirando todos aqueles que tiveram o privilégio de aprender e conviver com ele.
Em nota oficial, o MCIC sublinha que, com a partida de Mestre Pascoal, “Cabo Verde perde um dos seus mais valiosos guardiões da memória cultural”, ressalvando, porém, que o seu legado “permanecerá vivo em cada cimboa construída, em cada melodia tocada e em cada aprendiz que teve a honra de receber os seus ensinamentos”.












































