Segunda-feira, 10 Agosto 2026

Freskinhe Freskinhe

Julho regista oceanos mais quentes de sempre

Os oceanos nunca estiveram tão quentes como no mês passado. A temperatura média da superfície do mar a nível global atingiu, em julho, 20,96°C, superando o recorde anterior de 20,89°C, registado em 2023, segundo dados divulgados hoje, 10, pelo Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus (C3S), da União Europeia.

Entre os fatores apontados para esta subida está o aquecimento excecional de uma vasta área do Pacífico tropical, associado às condições do fenómeno El Niño, que as previsões apontam como tendência a intensificar-se nos próximos meses. O calor marcou também a Europa, onde ondas de calor marinhas intensas empurraram para novos recordes as temperaturas do Atlântico e do Mediterrâneo ocidental, com impacto direto nos ecossistemas e nas comunidades costeiras.

Conforme a mesma fonte, a Europa Ocidental viveu, entre junho e julho, o período mais quente de que há registo, com uma média de 21,62°C, quase três graus acima do valor habitual para a época e acima dos anteriores recordes de 2022. A esse calor juntou-se uma seca prolongada, com níveis excecionalmente baixos de precipitação e de humidade do solo em países como França, Espanha, partes da Alemanha e o Reino Unido.

O caudal de rios como o Sena, o Reno e o Danúbio caiu muito abaixo da média, comprometendo o abastecimento de água, a rega agrícola e a produção de energia em vários países da região. Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo, atribuiu o fenómeno a sistemas de altas pressões que mantiveram o calor preso sobre a Europa Ocidental, criando um ciclo em que solos cada vez mais secos deixam de conseguir refrescar naturalmente o ambiente, um efeito, segundo a especialista, diretamente associado às alterações climáticas.

A nível global, julho foi o segundo mês mais quente alguma vez registado, com uma temperatura média do ar à superfície de 16,90°C, valor idêntico ao do mesmo mês do ano anterior e apenas atrás do recorde de 2023. A diretora do Serviço de Monitorização da Atmosfera do Copernicus, Laurence Rouil, destacou ainda a atividade excecional de incêndios florestais na Europa Ocidental, tanto em área ardida como em emissões.

Alerta igualmente que estas condições tendem a alimentar fogos maiores e mais intensos no sul da Europa, ao mesmo tempo que alargam a época de incêndios para norte. Segundo Rouil, incêndios de maior dimensão libertam também mais fumo a altitudes superiores, capaz de viajar milhares de quilómetros e afetar países onde os incêndios são pouco frequentes.

Risco e Riso
×