Terça-feira, 01 Setembro 2026

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Governo admite apoio aos agricultores perante atraso das chuvas

O Governo está a monitorizar a  campanha agrícola em todo o país, perante o atraso das chuvas e a perda das primeiras sementeiras, e admite acionar medidas de apoio caso se confirme um cenário de maior vulnerabilidade.

A informação foi avançada pela Ministra da Agricultura, Eveline Ramos, que explica que o objetivo é definir as próximas fases da campanha e avaliar a necessidade de intervenção.  Face à perda das primeiras sementeiras, tradicionalmente realizadas a partir de junho, os serviços do ministério estão a distribuir sementes aos agricultores, para permitir uma nova plantação caso as condições climáticas sejam favoráveis.

A governante explica que o Executivo está a preparar-se para dois cenários possíveis: inundações ou seca severa, tendo em conta a imprevisibilidade associada às alterações climáticas.

Eveline Ramos considera, contudo, que ainda existe esperança de uma alteração do cenário atual, por isso salienta que os padrões de precipitação têm vindo a sofrer mudanças. “Acreditamos que a situação ainda vai mudar porque estamos sob o efeito das alterações climáticas. O período da chuva já não é tão concentrado nos meses previstos. Agora temos de considerar que as chuvas chegam mais tarde ao nosso país devido a estas mutações”, afirmou.

Caso seja confirmada a necessidade de intervenção, a resposta do Governo deverá concentrar-se sobretudo no setor da pecuária e o apoio social. Na pecuária, as medidas deverão incidir na garantia de água e alimentação para os animais, de forma a compensar o défice de pasto provocado pela ausência de chuvas.

No setor social, está prevista a elaboração de um programa de criação de emprego e reposição de rendimento, destinado a apoiar famílias que possam ficar em situação de vulnerabilidade devido às consequências da campanha agrícola. A ministra reconhece ainda que a falta de mão de obra constitui um problema estrutural que afeta o interior de Santiago e outras zonas do país, sobretudo devido à saída de jovens.

Questionada sobre o impacto desta situação nas áreas que poderão ser cultivadas, Eveline Ramos admite que haverá uma diminuição da mão de obra disponível, mas defende a necessidade de colocar a juventude no centro das políticas para o setor primário. “Vai, com certeza, haver uma diminuição, mas trabalharemos para que nos próximos anos a centralidade seja colocada no sector da juventude, de forma a atrair os jovens também para o sector primário”, disse.

À margem do ateliê de validação do Programa Nacional de Investimento Agrícola e Segurança Alimentar (PNIASA), a ministra apontou ainda algumas das prioridades para a década 2026-2035. Entre os principais desafios estão o reforço da investigação científica para responder às alterações climáticas, o aumento da produção e da segurança alimentar e uma maior integração de jovens e mulheres no sector agrícola.

Eveline Ramos destacou igualmente a necessidade de reforçar o acesso aos mercados e ao financiamento, bem como a responsabilidade de Cabo Verde na próxima fase do projeto relacionado com a política agrícola comum dos países da África Ocidental.

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