Sábado, 10 Outubro 2026

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Esquistossomose: Autoridades recomendam evitar banhos em barragens e cachoeiras

O ministro da Saúde, Lúcio Fernandes, apelou esta quinta-feira, 08, à população para evitar banhos em barragens e cachoeiras na ilha de Santiago, sobretudo nas localidades onde já foram identificados casos de esquistossomose, e anuncia medidas para conter o aumento de infeções no município de São Miguel.

O alerta foi feito durante o período de perguntas ao Governo, no segundo dia do debate parlamentar, em resposta à deputada do PAICV, Carla Carvalho, que questionou as autoridades sobre a evolução da doença em São Miguel e as medidas previstas para travar a sua propagação.

Na sua intervenção, a parlamentar manifestou preocupação com o aumento dos casos, que passaram de sete em 2022 para mais de 40 até Junho de 2026, segundo os dados apresentados. Carla Carvalho alertou ainda para a possibilidade de a doença se estar a expandir para além da Ribeira de São Miguel e defende uma intervenção mais efetiva das autoridades sanitárias. 

Em resposta, o ministro da Saúde reconheceu que a esquistossomose representa uma situação nova para Cabo Verde desde 2022 e revelou que o número acumulado de casos atingiu 182, concentrados maioritariamente na zona da Ribeira Principal. Perante a evolução da doença, Lúcio Fernandes anunciou que estão a ser preparados spots publicitários para televisão e rádio, destinados a sensibilizar a população para os riscos associados ao contacto com águas potencialmente contaminadas e à importância da adoção de comportamentos preventivos.

O governante reforçou o apelo para que as pessoas evitem nadar ou tomar banho em barragens, cachoeiras e outras zonas de água doce na ilha de Santiago, principalmente nas áreas onde já foram registadas infecções. A medida visa reduzir a exposição da população ao parasita responsável pela doença.

Segundo o ministro, o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) e a Direção Nacional de Saúde estão também a trabalhar em articulação com a Polícia Municipal e as câmaras municipais para instalar placas de sinalização e avisos de interdição de banhos nas localidades consideradas de risco.

Lúcio Fernandes informou ainda que Cabo Verde conta com o apoio de especialistas do Comité Regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para África, com experiência no combate à esquistossomose, a fim de apoiar as autoridades nacionais na definição e implementação de medidas de resposta à doença.

No âmbito das intervenções previstas, o Ministério da Saúde está igualmente a analisar medidas relacionadas com o controlo do hospedeiro intermediário do parasita. O ministro mencionou a presença de sapos nas ribeiras como um dos elementos a considerar no quadro das intervenções em estudo.

A esquistossomose é uma doença parasitária causada por vermes do género Schistosoma. A transmissão aos seres humanos ocorre quando estes entram em contacto com água doce contaminada, onde existem caracóis infctados que funcionam como hospedeiros intermediários do parasita.

A infeção acontece quando as larvas libertadas na água penetram na pele durante atividades como nadar, tomar banho ou lavar roupa em locais contaminados. Por isso, as autoridades de saúde recomendam evitar o contacto com águas suspeitas e cumprir as orientações de prevenção, sobretudo nas zonas onde foram identificados casos.

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