
Os constrangimentos nos transportes interlhas voltaram a condicionar a realização de eventos culturais em Cabo Verde. Desta vez, afetou dois festivais de música realizados nas ilhas de Santo Antão e São Nicolau. A impossibilidade de deslocação de alguns artistas deixou ausências registadas, mas não impediu que os festivais levassem música e animação ao público.
Apesar dos constrangimentos, as organizações dos dois festivais consideraram positiva a realização dos eventos, destacando a participação do público e o contributo dos espectáculos para a dinamização cultural dos municípios. No Porto Novo, a atuação do grupo Tabanka Djazz, prevista para a noite de domingo no encerramento da 36ª edição do Festival de Música da Praia de Curraletes, acabou por ser cancelada devido a dificuldades relacionadas com o transporte aéreo.
Em comunicado, a Câmara Municipal do Porto Novo explicou que o grupo tinha uma viagem previamente agendada para São Nicolau, ligação que foi entretanto cancelada, dificultando a deslocação da banda até Santo Antão. A autarquia garantiu que realizou várias diligências junto das companhias aéreas para encontrar uma solução, incluindo a tentativa de assegurar um voo direto entre a cidade da Praia e São Vicente, de onde os músicos seguiriam posteriormente para Porto Novo.
Apesar dos esforços desenvolvidos até ao último momento, não foi possível garantir a presença dos Tabanka Djazz no festival. A Câmara Municipal apresentou desculpas ao público e assegurou que ficou estabelecido um compromisso com a banda para uma atuação futura no município, em data a anunciar.
Em São Nicolau, os problemas de transporte também afetaram o Festival de Música de Praia d’Tedja, no Tarrafal, onde os grupos Ferro e Gaita, Tabanka Djazz e o artista Miguel KR não conseguiram chegar à ilha, devido às limitações nas ligações aéreas e marítimas. O presidente da Câmara Municipal do Tarrafal, Neivo Araújo, lamentou a ausência dos artistas, destacando que eram nomes aguardados pelo público e que faziam parte do cartaz inicialmente previsto.
Segundo o autarca, a organização tentou encontrar alternativas para garantir a deslocação dos músicos, tanto por via aérea como marítima, mas sem sucesso. “Os constrangimentos nos transportes criaram um autêntico bloqueio que impediu a sua deslocação até São Nicolau”, explicou. Apesar das limitações, o Festival de Praia d’Tedja manteve a programação com os artistas presentes na ilha. O segundo dia do evento arrancou à meia-noite e contou com a atuação do Colectivo Hip-Hop, formado por LLY DY, Lilly Stefan e K Kosme, num momento dedicado à valorização dos talentos locais.
Seguiu-se o Coletivo da Diáspora, composto por Kimberly Martins, Vady Silva, Artur Brito e Silvano Alves, que proporcionou ao público diferentes interpretações musicais. Às 02h00, Nando da Cruz subiu pela primeira vez ao palco da Praia d’Tedja, apresentando um repertório diversificado.
O artista da casa, Nelson Roque deu continuidade à programação com músicas ligadas ao Carnaval cabo-verdiano e ao zouk love, antes da entrada em palco do rapper Apollo G, que protagonizou um espetáculo marcado pela forte participação do público. O encerramento ficou a cargo de Mark Delman, por volta das 06h00, numa atuação que agradou sobretudo ao público mais jovem.

















































