
O Governo já iniciou hoje, 25, na cidade da Praia, a revisão do Protocolo Terapêutico em Psiquiatria, para atualizar os procedimentos clínicos, melhorar a articulação dos serviços e reforçar o acompanhamento dos doentes em Cabo Verde.
O processo decorre até quinta-feira, no âmbito metas do programa do Governo para a presente legislatura e complementa o Plano Nacional para a Saúde Mental já existente. O secretário de Estado da Saúde, Artur Veiga, explica que a revisão do referido protocolo pretende adequar a intervenção no país às evidências científicas mais recentes e aproveitar o trabalho já desenvolvido no setor.
A iniciativa inclui ainda a análise da rede de cuidados de saúde mental e dos mecanismos de referência e contra-referência, com o objetivo de melhorar a articulação entre os diferentes níveis de atendimento no país. Artur Veiga considera este segmento uma área particularmente sensível e chama a atenção para as condições de vulnerabilidade enfrentadas por pessoas com doença mental.
O governante aponta sobretudo para os doentes que vivem em situação de maior exposição social e que continuam a enfrentar estigmatização. Para o Executivo, melhorar a resposta passa também por sensibilizar a população e criar condições para um acompanhamento mais adequado. “Nós todos vemos a parte mais visível, os doentes mentais que circulam pela rua, que são muito estigmatizados.”
O secretário de Estado defende ainda um maior envolvimento das famílias no acompanhamento dos doentes e a criação de redes de apoio que permitam reduzir situações de isolamento e vulnerabilidade. Questionado sobre um eventual aumento do número de pessoas com problemas de saúde mental em Cabo Verde, Artur Veiga afirma que o Governo ainda não dispõe de dados suficientes para confirmar essa tendência.
Contudo, o responsável admite que a perceção existente na sociedade pode não corresponder à realidade estatística e anuncia a realização de um estudo mais aprofundado para obter dados que permitam avaliar a situação. “Às vezes a perceção nos engana e não estou a dizer também que não há esse aumento dos doentes mentais, mas vamos fazer sim um estudo mais aprofundado”.

















































