
O historiador e deputado português Rui Tavares defendeu esta quarta-feira, 10, à margem do VII Encontro Cabo-verdiano de Língua Portuguesa, na cidade Praia, que o legado das mulheres pioneiras do jornalismo e da cidadania continua atual e deve servir de inspiração às novas gerações, em particular às jovens jornalistas cabo-verdianas que constroem hoje as suas carreiras num contexto de profunda transformação mediática.
As declarações foram proferidas após a palestra “Como se perde uma República”, integrada no lançamento de uma obra dedicada à Primeira República Portuguesa, onde Rui Tavares, historiador, escritor e cofundador do partido Livre, traçou um retrato das mulheres que, no início do século XX, desafiaram as limitações da época para se afirmarem no espaço público e contribuírem para a transformação da sociedade.
Entre as figuras evocadas, Rui Tavares destacou Virgínia Quaresma, considerada uma das primeiras jornalistas profissionais de língua portuguesa, e Antónia Pusich, natural da ilha de São Nicolau, apontada como a primeira mulher a dirigir um jornal em língua portuguesa, um dado que estabelece uma ligação histórica direta entre Cabo Verde e as origens do jornalismo feminino lusófono.
O deputado recordou ainda Carolina Beatriz Ângelo, a primeira mulher a votar em Portugal, que recorreu aos tribunais para fazer valer esse direito, apresentando o seu exemplo como um marco incontornável na história da participação política feminina e uma prova de que a persistência individual pode alterar o curso das instituições.
Ao abordar o presente, Rui Tavares reconheceu que as redes sociais transformaram profundamente os modos de produzir e consumir informação, mas sustentou que o jornalismo mantém um papel insubstituível na construção de sociedades democráticas e informadas, independentemente das plataformas através das quais circula.
Neste enquadramento, o docente incentivou os jovens, e em particular as mulheres, a participarem ativamente na produção jornalística e na criação de novos espaços de informação. No seu argumento, Rui Tavares vinca que conhecer o percurso das pioneiras é simultaneamente um ato de valorização histórica e um reforço do compromisso com a liberdade de expressão e os valores democráticos.
Fonte: Inforpress












































