
Oito em cada dez cabo-verdianos (81%) consideram que a Polícia e os tribunais precisam de fazer mais para proteger as mulheres e as raparigas contra a discriminação e o assédio nas escolas, nos locais de trabalho e nos espaços públicos, revela um estudo do Afrobarometer, baseado num inquérito a 1.200 adultos realizado em 2024.
Mais de metade dos inquiridos (61%) defende que as instituições devem fazer muito mais, e só 17% entendem que a Polícia e os tribunais já fazem o suficiente. A exigência atinge 71% entre os cidadãos sem escolaridade formal, 75% entre os que têm 56 ou mais anos e 89% entre os que têm formação pós-secundária. Homens e mulheres, tal como os residentes nas zonas urbanas e rurais, têm posições semelhantes.
O pedido pesa mais entre quem vive em situação de pobreza. Entre os cidadãos que não enfrentam pobreza, 76% querem mais atuação das instituições, e a proporção sobe para 83% ou 84% entre os que vivem em pobreza moderada ou elevada.
O inquérito mediu também a perceção da frequência do assédio sexual contra mulheres nos espaços públicos. Um terço dos inquiridos (33%) diz que acontece frequentemente ou sempre na sua comunidade, 20% respondem “frequentemente” e 13% “sempre”. Já 38% afirmam que nunca acontece, 19% dizem que acontece raramente e 9% não sabem ou não respondem.
A perceção varia consoante o grupo. Nas cidades, 38% consideram o assédio frequente ou constante, quase o dobro dos 21% das zonas rurais. Entre os 18 e os 35 anos, a proporção é de 40%, contra 23% entre os que têm 56 ou mais anos. Entre as mulheres é de 36%, e entre os homens de 30%. Aumenta ainda com a escolaridade, de 26% no ensino primário para 46% na formação pós-secundária, e com a pobreza, de 30% entre quem não a enfrenta para 42% entre quem vive em pobreza elevada.
O relatório alerta que estas diferenças não provam que o fenómeno seja menor no campo ou entre os mais velhos. A maior frequência de relatos nas cidades e entre os mais jovens e escolarizados pode refletir uma maior capacidade de reconhecer comportamentos de assédio.
A confiança na resposta às denúncias está dividida. Para 59% dos inquiridos, é muito ou um pouco provável que as mulheres e as raparigas sejam levadas a sério quando apresentam queixa, mas 34% duvidam, e 7% não sabem ou não respondem. Entre os homens, 61% confiam, e entre as mulheres 57%. Os resultados integram a Ronda 10 do Afrobarometer, uma rede pan-africana de investigação, e a equipa da Afrosondagem fez o trabalho de campo em Cabo Verde, em agosto e setembro.






















































