Sexta-feira, 05 Junho 2026

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Morreu Djosinha, ícone da música cabo-verdiana

O cantor cabo-verdiano Djosinha faleceu hoje, em São Vicente, aos 92 anos, dois dias após ter recebido alta do Hospital Baptista de Sousa, onde esteve internado desde o passado dia 08 de Maio devido a complicações de saúde.

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A informação foi confirmada à Inforpress por Kikas Silva, responsável da banda Serenata, que lamentou a perda de uma das figuras mais emblemáticas da música nacional. “Ele saiu do hospital, estava visivelmente debilitado, mas não esperávamos este desfecho triste”, afirmou o produtor.

Segundo a mesma fonte, já no mês de Abril o próprio artista havia manifestado o desejo de se despedir dos grandes palcos, por sentir que a sua condição física não lhe permitia continuar a actuar em grandes espectáculos.

“Foi ele próprio que pediu esse concerto para se despedir dos grandes palcos. A decisão dele era fazer apenas participações esporádicas em espectáculos mais intimistas”, explicou Kikas Silva.

Nesse contexto, Djosinha realizou três participações recentes com a banda Serenata, incluindo uma homenagem à sua carreira, um espectáculo comemorativo dos seus 70 anos de percurso artístico e um concerto de despedida, realizado a 25 de Abril.

Para Kikas Silva, o desaparecimento do cantor representa uma grande perda para a cultura cabo-verdiana. “Foi um grande artista que deu muito à cultura cabo-verdiana, tanto a nível nacional como internacional. Era muito solicitado pela diáspora e continuava a ser uma referência para várias gerações”, sublinhou.

Nascido a 25 de Maio de 1934, em São Vicente, com o nome de baptismo José Vieira Duarte, Djosinha construiu uma carreira artística que atravessou mais de sete décadas e marcou profundamente a história da música cabo-verdiana.

O seu percurso começou aos sete anos de idade, no antigo Cine Éden Park, incentivado pelo guitarrista Olavo Bilac. Nessa estreia, conquistou o público ao interpretar a música brasileira “Deusa do Asfalto”, num espectáculo que viria a revelar um dos maiores talentos da música nacional.

Aos 22 anos integrou o histórico grupo Voz de Cabo Verde, onde se destacou pela versatilidade e capacidade de interpretar diversos estilos musicais. Com a banda, actuou em vários países, entre os quais Portugal, Holanda, Angola e Espanha.

Após o fim do grupo, Djosinha prosseguiu uma carreira a solo de grande sucesso, editando 17 trabalhos discográficos entre LP e CD e realizando inúmeros espectáculos em Cabo Verde e junto das comunidades emigradas.

Conhecido como o “showman” da música cabo-verdiana, destacou-se pela energia contagiante em palco e por momentos que ficaram gravados na memória do público, como o célebre “ratcha camisa”, que acabou por se tornar uma das suas marcas registadas.

Além da música, teve também uma ligação ao futebol, tendo sido campeão pelo Clube Sportivo Mindelense em 1954.

Ao longo da sua trajectória artística, protagonizou duetos memoráveis com grandes nomes da música cabo-verdiana. O próprio artista recordava frequentemente que o seu primeiro dueto aconteceu ainda na adolescência, ao lado de Titina Rodrigues, num espectáculo realizado no Castilho, em São Vicente.

Paralelamente à carreira musical, Djosinha desempenhou durante 42 anos funções de locutor na Rádio Globo, nos Estados Unidos da América, país onde viveu durante largos anos e constituiu família, reforçando a sua ligação à diáspora cabo-verdiana.

Segundo Kikas Silva, as cerimónias fúnebres ainda não têm data definida, uma vez que os familiares que residem no exterior do país estão a ser consultados sobre os procedimentos a adoptar.

Com a sua partida, Cabo Verde perde uma das vozes mais marcantes da sua história musical e um artista que dedicou mais de 70 anos à promoção e divulgação da cultura cabo-verdiana dentro e fora do arquipélago.

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