Sexta-feira, 14 Agosto 2026

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Investigadora propõe uso do telemóvel a partir do 6º ano

A investigadora e professora Neusa Correia Lopes defende que o uso do telemóvel como ferramenta de pesquisa nas aulas, a partir do 6.º ano, seria oportuno, desde que sujeito a regras definidas e fiscalizadas pelo professor. Afirma que a falta de computadores e tablets em muitas escolas do país, incluindo algumas na própria cidade da Praia, transforma o telemóvel pessoal no único meio de acesso à internet disponível para os alunos.

Neusa Correia Lopes descreve esta utilização como “oportuna e indispensável” numa era em que a pesquisa online substitui cada vez mais as cópias físicas nas salas de aula e bibliotecas, uma tendência que a investigadora diz ter confirmado em visitas a escolas ao longo do último ano letivo, à medida que as novas tecnologias se implementam no ensino.

Sem equipamento informático suficiente, sublinha, não é possível falar de uma verdadeira inclusão digital nas escolas cabo-verdianas, o que reforça a necessidade prática de recorrer ao telemóvel para aceder a manuais e realizar pesquisas preparadas para esse fim.

Entretanto, a investigadora reconhece que, além-fronteiras, vários países debatem ou já avançam para a proibição do uso de telemóveis e redes sociais nas aulas, motivada pelo impacto negativo destas ferramentas nos adolescentes.

Ainda assim, defende que Cabo Verde deve apostar cedo nas novas tecnologias no ensino, para não ficar atrás no desenvolvimento tecnológico e associar essa aposta a um equilíbrio entre a inovação pedagógica e os riscos das telas para a concentração e a saúde mental dos alunos, uma preocupação que, segundo Lopes, já afeta governantes, professores, pais e os próprios alunos.

Questionada sobre o eventual dissenso que esta abordagem pode gerar entre educadores, pais e alunos, a investigadora defende uma aposta em literacia digital alargada a todos os intervenientes, pois sustenta que a escola não deve esperar para ver o que acontece, mas antecipar-se e agir.

 Segundo diz, esta posição sustenta-se nos argumentos que já tinha desenvolvido no seu livro “Educating Through Pandemic – Traditional Classroom versus Virtual Space”, onde defende o equilíbrio psicoemocional e social dos alunos nesta era digital.

Do ponto de vista das famílias, Neusa Correia Lopes considera que o telemóvel oferece também uma vantagem prática, é que dá aos pais e encarregados de educação uma maior sensação de segurança, ao permitir contacto fácil com os filhos. Ainda assim, alerta para os riscos que o uso excessivo pode representar na vida social dos alunos e nas suas competências de relacionamento interpessoal.

Fonte/Fotografia: Inforpress

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